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Chacina deixa 30 mortos na Baixada Fluminense

31 de março de 2005 23h33 atualizado às 23h33

Uma chacina na noite de ontem em duas cidades da região da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, deixou 30 mortos e dois feridos, segundo informou a Polícia Civil carioca.

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    "As principais cidades da Baixada Fluminense estão sob um forte cerco policial e vários bloqueios estão sendo realizados em ruas e estradas da região. Além disso, as investigações estão concentradas na Delegacia de Homicídios da Baixada e toda a coordenação está sob o comando do subsecretário de planejamento operacional e integração da secretaria de Segurança Pública, Paulo Souto, que já trabalhou na Baixada e conhece bem a área", disse o secretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba.

    Itagiba destacou ainda que a Polícia Federal também está trabalhando na investigação, mas ressaltou a participação da população para elucidar os crimes.

    De acordo com a Polícia Civil, foram encontrados 16 corpos no bairro da Posse, município de Nova Iguaçu (RJ). Destas, onze pessoas foram baleadas em frente a um bar, seis morreram no local e cinco foram levados para o hospital da Posse. Destas, quatro morreram. A que sobreviveu passa bem, informou a polícia.

    Testemunhas contam que homens armados desceram de um veículo Gol de cor clara e começaram a atirar. Em seguida, a chacina continuou em Queimados - cidade próxima à Nova Iguaçu - onde foram registradas mais doze mortes.

    Entre as vítimas, há crianças, adolescentes, mulheres e homens. A polícia procura outras pessoas que teriam sido alvejadas. "Foi tudo muito rápido. Eu subi até em casa e desci correndo quando ouvi aquele monte de tiro. Nós ficamos desesperados. Quando chegamos, o carro já tinha ido embora", contou Creuza Regina, avó de uma das vítimas de 14 anos.

    "Estou chocado. Meu sobrinho estava brincado com o primo dele e foi brutalmente assassinado", afirmou Angelo Soares, tio de um adolescente de 13 anos. Segundo testemunhas, os agressores chegaram atirando e não deram tempo para as pessoas se esconderem.

    Depois de uma reunião com a cúpula das polícias Civil e Militar, o secretário Itagiba disse hoje que os crimes foram cometidos por seis ou oito pessoas distribuídas em dois carros e que alguns suspeitos já estão sendo investigados.

    Policiais da Delegacia de Homicídios da Baixada rodaram pelos municípios da região, depois de terem recebido a informação de que poderiam haver mais mortos, mas até o início desta manhã não havia confirmação de outras vítimas.

    Por determinação da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, homens do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) passaram a madrugada patrulhando a rodovia Presidente Dutra, com o apoio de um helicóptero do Grupamento Aero-Marítimo (GAM) da Polícia Militar.

    Depois da chacina, Itagiba emitiu uma nota oficial, alertando que a chacina pode se tratar de represálias de policiais militares insatisfeitos com a operação Navalha da Carne, do comando da PM, que busca identificar e expulsar da corporação os policiais envolvidos com crimes.

    Na noite de quarta-feira, foram presos oito policiais do 15º Batalhão de Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense, suspeitos de envolvimento no assassinato de dois homens na mesma madrugada. Eles teriam degolado as vítimas e jogado uma das cabeças dentro do quartel, que caiu sobre uma caminhonete da corporação, estilhaçando seu vidro.

    A ação também seria em represália ao rigor do comandante do batalhão, Paulo César Lopes, que recentemente prendeu 60 policiais por desvio de conduta.

  • Redação Terra