inclusão de arquivo javascript

 
 

PT nega relação financeira com as Farc

12 de março de 2005 19h16 atualizado às 19h16

O PT emitiu neste sábado uma nota de repúdio à matéria de capa publicada pela revista Veja desta semana e negou qualquer relação financeira com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia. A reportagem intitulada Tentáculos das Farc no Brasil sugere vínculos financeiros entre petistas e as Farc. Assinada pelo presidente nacional do partido, José Genoino, a nota qualifica de irresponsável a reportagem, por estampar na capa um ataque à honra do partido sem provas consistentes. O PT considerou a matéria uma agressão à verdade dos fatos, à honra do Partido dos Trabalhadores e à ética jornalística.

  • Revista denuncia relação do PT com as Farc

    De acordo com a nota, "a matéria tem como única fonte um lote de supostos documentos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), eventualmente elaborados por agente infiltrado em uma festa, na qual o padre Olivério Medina, apresentado como embaixador das Farc em território brasileiro, teria declarado sua intenção de apoiar financeiramente candidatos petistas nas últimas eleições gerais. Não há, no entanto, reprodução de algum destes documentos: a revista alega, segundo consta do próprio texto, que foi esta a pré-condição para que tivesse acesso às presumidas informações secretas. Tampouco qualquer das testemunhas presentes à festa citada, das diversas ouvidas por Veja, corrobora o fato narrado pela revista, sequer apelando para o sigilo de uma declaração em off".

    Segundo os petistas, o levantamento de dados foi irresponsável e levado ao leitor sem evidências ou provas sustentáveis. Para o Partido dos Trabalhadores, a reportagem fica definitivamente desmascarada quando revela, com todas as letras, a revista "não encontrou indícios suficientemente sólidos de que os US$ 5 milhões tenham realmente saído das Farc e chegado nos cofres do PT".

    "Logo a seguir, o artigo assinado por Policarpo Jr. esclarece o que entende por suficientemente sólidos, ao deixar claro que a investigação de Veja não avançou um milímetro na comprovação desta suposta movimentação financeira. Mesmo assim, os editores da publicação não hesitaram em estampar, na capa da revista, como um fato averiguado, que o representante das Farc anunciou a doação milionária para petistas", demostra a indiganção petista.

    Vale lembrar que a exploração deste tema, as relações da guerrilha colombiana com o PT, não é uma novidade. Nas eleições presidenciais de 2002 o então candidato do PSDB, José Serra, também foi por este caminho, em seu programa de televisão. O Tribunal Superior Eleitoral considerou denúncia vazia sua desesperada tentativa eleitoreira, concedendo imediato direito de resposta ao Partido dos Trabalhadores. "Também não se deve esquecer que os supostos documentos que teriam inspirado a revista Veja foram datados em 25 de abril de 2002, quando era presidente da República o sr. Fernando Henrique Cardoso e muitos arapongas andavam como serpentes pelo país, em busca de alguma situação que pudesse impedir a livre vontade do povo brasileiro de votar por mudanças".

    No final da nota é reinterado que o Partido dos Trabalhadores não tem e jamais teve relações financeiras com as Farc. Tampouco apóia, no país vizinho, qualquer saída para a situação vivida pelos colombianos que não esteja baseada em um acordo democrático, pacífico e constitucional.

    "No mais, são inumeráveis as provas de que a política do PT é marcada pelo respeito à auto-determinação dos povos e à soberania das nações, a partir de uma política de não ingerência nos assuntos internos de cada país. Em nenhuma hipótese aceitaríamos, portanto, que nossa vida política sofresse a interferência de governos ou grupos estrangeiros de qualquer origem".

    "Aventuras deste naipe prejudicam a vida democrática de nosso país", julgaram os petistas.

  • Redação Terra