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Lula diz que omitiu corrupção no governo FHC

24 de fevereiro de 2005 15h37 atualizado às 15h37

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva revelou nesta quinta-feira que omitiu da sociedade informações sobre suposta corrupção durante privatizações realizadas no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB). As declarações causaram forte reação entre líderes do PSDB, que prometem processá-lo e falam até em impeachment.

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    Discursando na Estação de Tratamento de Óleo de Fazenda Alegre da Petrobrás, em Jaguaré (ES), Lula disse que a denúncia teria partido de um dirigente do Governo, cujos nome e instituição preferiu não revelar.

    O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Carlos Lessa, cujo nome foi cogitado como do suposto dirigente, afirmou ter tido uma conversa com o presidente no início do governo, em que relatou a difícil situação financeira da instituição, e na qual o presidente lhe pediu que não divulgasse as informações. De acordo com o jornal O Globo, no entanto, ele afirmou que em nenhum momento teria dito que o banco estava falido.

    Segundo o presidente, a informação teria chegado a ele nos primeiros meses do governo. Lula afirmou que o integrante do Governo lhe disse que a instituição estava falida por conta do processo de corrupção repetido durante o governo anterior e de privatizações mal feitas. O presidente teria pedido segredo.

    "Olha, se tudo isso que você está me dizendo é verdade, você só tem o direito de dizer para mim. Feche a boca e diga que nossa instituição está preparada para ajudar no desenvolvimento do país", afirmou Lula em seu discurso.

    Quanto à não divulgação do ocorrido, Lula disse que foi uma decisão sua não "achincalhar" o governo anterior, porque preferiu passar uma mensagem positiva à população, sem lamentações. Ele explicou que a decisão foi pessoal, mas admitiu que a responsabilidade passava a ser de seu governo.

    "Eu tomei uma decisão muito pessoal e fiz com que o Governo assumisse essa posição, de que o presidente que tinha deixado o Governo, tinha feito aquilo que ele entendia que deveria fazer. Portanto, se tinha alguma coisa que não estava funcionando, não era mais da responsabilidade de quem tinha deixado o governo, mas era da responsabilidade de quem tinha assumido"

    Reação
    O senador Arthur Virgílio, líder do PSDB no Senado, acusou em nota o presidente Lula de ter tomado conhecimento de irregularidades sem ter mandado apurar. O partido afirma que vai processá-lo e que Lula está sujeito a impeachment.

    "O mais alto magistrado da nação confessa ter infringido dipositivo do Código Penal. Confessa crime de prevaricação. Tomou conhecimento de suposta e grave irregularidade na administração pública federal e, em vez de determinar a sua apuração, como era do seu dever, mandou escamotear o fato", diz o senador na nota.

    "O PSDB está tomando providências para processá-lo. É inaceitável, e até sujeito a impeachment, comportamento como esse do presidente da República", disse Virgílio.

    O líder do PSDB na Câmara, José Carlos Aleluia, também acusa o presidente de ter cometido crime. "Ele é desrespeitoso com a população do Brasil e comete crime de responsabilidade prevista no artigo 85 da Constituição quando impede ou acoberta investigação de crimes de improbidade administrativa", disse Aleluia.

  • Redação Terra