Para os representantes do setor, as medidas não resolvem os conflitos rurais na Amazônia e podem deixar o clima ainda mais tenso na região.
"Isso vai criar uma confusão que pode complicar ainda mais a tensão no campo", disse o diretor técnico da Associação das Indústrias Exportadoras de Madeira do Pará (Aimex), Guilherme Carvalho.
Para os madeireiros, a interdição de 8,2 milhões de hectares em uma área no oeste do Pará e a criação das reservas extrativistas, florestas nacionais e estações ecológicas não são suficientes para pôr fim à onda de violência agrária que ganhou repercussão internacional com o assassinato da freira e de outras três pessoas em menos de cinco dias.
Eles argumentam ainda que as medidas inviabilizam a atividade econômica em alguns municípios e podem causar uma reação violenta de produtores rurais que ocupam terras sem regularização fundiária e devem ser obrigados a deixar as áreas, segundo as medidas adotadas.
"Muitos foram colocados aqui na época do governo militar para integrar a região onde já estão há mais de 20 anos. Essas pessoas não têm o título de propriedade, mas têm a posse, e se forem tiradas na marra, teremos conflitos ainda mais graves", alertou o presidente da Associação das Indústrias Madeireiras de Santarém e região (Assimas), Aldir Schmith.
Ele criticou também a forma como o governo conduziu as discussões sobre o assunto. "As decisões são tomadas lá em Brasília sem discussão com o setor produtivo. Estou vendo nessas ações uma forma de engessar o desenvolvimento econômico da região."
"É preciso dar opção para as pessoas que vivem aqui. Não sei se a criação de áreas que vão permitir apenas que as pessoas façam uso da floresta para sua subsistência será útil para o desenvolvimento das comunidades", questionou o presidente da União das Entidades Florestais do Pará, Vagner Krombauer.
Os madeireiros defendem a aceleração da implementação de um projeto que vai permitir a exploração sustentável da madeira através de concessões a empresas privadas, o que ainda passará por análise no Congresso Nacional.
"Isso tem que ser votado muito rápido. O governo poderia editar uma medida provisória para acelerar o processo. Enquanto tudo isso não for posto em prática, nada adianta", defende Krombauer.
A criação das florestas públicas é vista como uma opção pelos empresários do setor para a retomada da exploração madeireira, mas eles defendem a criação de mecanismos para impedir que grupos internacionais obtenham vantagem para exploração da floresta amazônica.
"A gente defende os mesmos ideais da irmã Dorothy. Lutamos pela legalidade do setor madeireiro, contra o corte raso e as queimadas. A nossa atividade depende das florestas em pé", disse Luis Carlos Tremonte, presidente do Sindicato das Indústrias Madeireiras do Sudoeste do Pará.
Outro lado
Por sua vez, o Greenpeace divulgou comunicado em que elogia as medidas anunciadas pelo governo federal, embora afirme que a presença estatal na região da Rodovia Transamazônica tem de ser permanente.
"Trata-se de um passo muito importante na luta pela conservação da Amazônia", disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia do Greenpeace, no comunicado.
"O governo tem na mão instrumentos para defender a floresta e suas populações tradicionais da ação criminosa de grileiros, madeireiros e fazendeiros que invadiram a região."
O Greenpeace defende ainda novas medidas similares para proteger a área da devastação predatória. "(O governo) precisa ainda criar novas reservas extrativistas para transformar medidas emergenciais em presença permanente na região, para fazer valer a lei, trazer a paz e assegurar cidadania e proteção efetiva do meio ambiente", disse Adário.
Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.