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Mineira suspeita de ritual satânico jura inocência

18 de fevereiro de 2005 09h19 atualizado às 09h19

A estudante Camila Dolabela Silveira, 22 anos, presa sob acusação de envolvimento na trama macabra que provocou a morte de sua prima, a também estudante Aline Silveira Soares, então com 18 anos, em outubro de 2001, negou ontem qualquer envolvimento no crime ao ser interrogada pela juíza Lúcia de Fátima Alvarenga Silva, das varas Criminal e da Infância e Juventude de Ouro Preto. Muito nervosa, abatida e chorando muito, Camila também negou ser participante de sessões de Role Playing Game (RPG), um mistura de jogo e teatro, conforme suspeita levantada pelo Ministério Público.

O depoimento da estudante, inicialmente previsto para hoje, teve início no Fórum de Ouro Preto às 9h45 de ontem e durou cerca de cinco horas. Durante todo esse tempo, a estudante chorou copiosamente, respondeu todas as perguntas e negou de forma veemente qualquer envolvimento no assassinato da prima. "Quero que a verdade seja descoberta, pois minha vida se transformou em um inferno", desabafou.

O interrogatório foi antecipado pela juíza por questões de segurança - a violência empregada pelos assassinos deu ao crime repercussão nacional - e chegou a surpreender o advogado criminalista Francisco Rogério Del Corsi, que defende a estudante, presa no final da manhã do último dia 15, em uma fazenda situada na zona rural do município de Luisburgo, na Zona da Mata mineira, distante 278 quilômetros de Belo Horizonte. Camila foi presa por policiais civis de Manhuaçu quando supostamente se preparava para fugir para o interior de Goiás.

Camila é a primeira pessoa a ser presa após suposta participação em um assassinato com indícios de ritual satânico ocorrido em 14 de outubro de 2001, durante a tradicional Festa do Doze, na cidade histórica de Ouro Preto. A vítima, Aline, foi torturada e morta com uma faca ou punhal, no cemitério da Igreja de Nossa Senhora das Mercês e Misericórdia. Seu pescoço tinha um corte de dez centímetros. O corpo nu de Aline foi encontrado sobre uma sepultura, em posição de crucificação.

Drogas, sexo e sessão de RPG
A promotora Luiza Helena Trócilo Fonseca revelou ontem que passou 40 dias pesquisando na Internet sites e grupos dedicados ao RPG e satanismo. "Ao receber o inquérito policial já com cerca de mil páginas, havia apenas indícios, mas depois da pesquisa, ficou evidente de que a vítima foi mesmo sacrificada em um ritual satânico", afirma.

"O papel dos participantes e até a posição em que Aline foi assassinada são descritos com detalhes em um desses jogos", diz. "Foi possível constatar que os jovens usaram drogas, fizeram sexo e participaram de um ritual descrito no jogo 'Vampiro: A Máscara'. Aparentemente, Camila não deve ter participado da violência física contra a prima, mas tudo indica que ela estava no local na hora do crime", diz.

A promotora frisa que, embora Camila tenha negado sua participação no crime, ficou calada quando questionada quanto ao papel dos outros três foragidos e de uma menor cujo nome está sendo preservado. Além de Camila Silveira, os estudantes Édson Poloni Lobo de Aguiar, Maicon Fernandes Lopes e Cassiano Inácio Garcia também foram denunciados pelo Ministério Público, tiveram a prisão preventiva decretada e continuam foragidos.

"Acho essa versão de uma fantasia sem cabimento", rebateu Francisco Del Corsi, que vai tentar o relaxamento da prisão com a juíza antes de entrar com um pedido de habeas-corpus no Tribunal de Justiça. Quanto à agenda e um diário de Camila apreendidos pela polícia, Del Corsi disse que contêm apenas "poesias".
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