A missionária norte-americana Dorothy Stang |
Dorothy era missionária da Pastoral da Terra e comandava o Projeto de Desenvolvimento Sustentado dentro de uma área autorizada pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A freira trabalhava na região há pelo menos 20 anos e, segundo a Radiobrás, lutava contra os grileiros da região.
Na semana passada, ela teve uma audiência pública com o secretário nacional de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, para denunciar que quatro pessoas estavam sendo ameaçadas de morte. Recentemente ela também denunciou que fazendeiros e madeireiros teriam invadido uma área de Anapu.
Trabalho
A freira trabalhava há mais de oito anos com as comunidades e movimentos sociais na região da rodovia Transamazônica para incentivar o desenvolvimento sustentável e denunciava a ação de madeireiros, grileiros e fazendeiros na exploração ilegal da floresta.
"Ela andava quilômetros e quilômetros no meio da mata ensinado as mulheres a cuidarem melhor dos seus filhos e a tirar o sustento da floresta sem destruí-la e, por isso, simboliza a resistência e exemplo de vida digna para as comunidades carentes da Transamazônica", disse a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-Pará, Meire Cohen.
Há pelos menos seis meses Dorothy vinha sofrendo ameaças de morte que foram levadas ao conhecimento da Secretaria de Segurança Pública do Pará, segundo a OAB do Estado.
A Assessoria de Imprensa do Palácio do Planalto informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu que a Polícia Federal investigasse o caso. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, já está na região para acompanhar as investigações.
O presidente nacional do PT, José Genoino, informou que o governo já enviou o secretário especial dos Direitos Humanos, Nilmário Miranda, para o município de Anapu. Ele também disse que, a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a Polícia Federal já reforçou sua presença no local.
Punição
Em relação à punição dos culpados, Genoino afirmou que o governo será implacável e que o deputado federal Paulo Rocha (PT-PA) seguirá para a região representando o partido.
"Esse crime não pode ficar impune. É fato grave e até que as investigações sejam esclarecidas é preciso suspender as negociações com possíveis interesses contrariados", afirmou.
O líder do governo na Câmara, deputado Professor Luizinho, classificou o crime como algo inaceitável e inadmissível. "Ali, todos sabem que há uma situação criminosa. A barbárie de assassinar uma militante de profundo sentimento humano e envolvimento com a região demonstra que os que não possuem regras acham que podem fazer o que bem entendem", lamentou.
Redação Terra