Marchas de mulheres e pelados se esbarram

29 de janeiro de 2005 • 23h38 • atualizado às 23h38
Mulheres reclamam do assédio masculino no Acampamento Foto: Juliana Bruce/Ciranda/Divulgação
Mulheres reclamam do assédio masculino no Acampamento
30 de janeiro de 2005
Foto: Juliana Bruce/Ciranda/Divulgação

Duas marchas de manifestantes se encontraram na noite deste sábado no Acampamento Intercontinental da Juventude durante o Fórum Social Mundial, em Porto Alegre.

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    Cerca de 200 mulheres protestaram contra a violência e o comportamento dos homens acampados, que estariam assediando demasiadamente as participantes. Em outra manifestação, que começou com 20 e chegou a quase 100 pessoas, os participantes tiraram a roupa. Alguns pregavam "o fim do moralismo e do preconceito", e outros afirmavam que simplesmente queriam ficar nus.

    No encontro das marchas, pouco amistoso, as mulheres começaram a chamar os pelados de machistas. Estes, por sua vez, juntaram-se a elas nos gritos de guerra. "Somos a favor da causa feminista e acreditamos na libertação do corpo", afirmavam.

    "Estamos protestando contra a violência. As mulheres não podem nem tomar banho durante o acampamento porque são molestadas. Mulher não é só bunda e peito", disse Cristiane Garcia, de Corumbá (MS). A paulista Julia Digiovani, integrante do movimento Marcha Mundial das Mulheres, que organizou o ato, reclamou do comportamento masculino. "A marcha está protestando contra o clima no acampamento. Durante a noite as mulheres são assediadas amplamente. As meninas têm medo de usar as duchas abertas, pois há homens se masturbando", afirmou.

    Em coro, as mulheres gritavam: "A partir de agora, quem se atrever a agredir e a assediar vai ter que contar com a fúria de toda essa galera aqui. Se cuida seu machista, aqui no acampamento somos todas feministas."

    Na marcha dos pelados, que começou tímida e chegou a quase 100 participantes, o clima era mais festivo. "Sem preconceito, sem moralismo. Neste espaço as pessoas não precisam se inibir", afirmou Flávia Nadona, 19 anos, de Praia Grande (SP). "Para mim, ficar pelado é só ficar pelado. O clima é de confraternização. Não tem que ter motivo para tirar a roupa", disse o uruguaio Sérgio, 26 anos. A marcha terminou no centro do acampamento, com música, cuspidores de fogo e malabaristas.

    O Acampamento Intercontinental da Juventude é realizado em todos as edições do Fórum Social Mundial. Em Porto Alegre, ele ocupa a área do Parque da Harmonia, à beira do lago Guaíba, e recebe mais de 30 mil participantes.

  • Redação Terra
     
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