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Gilberto Gil defende a ética hacker em seminário

29 de janeiro de 2005 10h52 atualizado às 10h52

Gil foi bastante aplaudido e virou a estrela do seminário. Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

Gil foi bastante aplaudido e virou a estrela do seminário
Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

Gilberto Gil defendeu a ética hacker, hoje, durante o seminário Revolução Digital: Software Livre, liberdade do conhecimento e liberdade de expressão na Sociedade da Informação. O ministro da Cultura declarou ser partidário "da tentativa produtiva de entender as coisas em suas complexidades para construir estratégias de transformação mais adequadas para o aqui e o agora." Largamente aplaudido, arrematou: "sou ministro, sou músico, mas sou sobretudo um hacker, em espírito e em vontade."

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    Entenda-se, por hacker, alguém que cria tecnologia pela paixão de inventar, pelo prazer de criar e compartilhar. Tal foi a definição do sociólogo e economista da sociedade de informação Manuel Castells, que integrou a mesa na qual, além do ministro, estavam também o co-fundador da Electronic Frontier Foundation John Barlow, o advogado Lawrence Lessig e Christian Ahlert, do Oxford Internet Institute, da Universidade de Oxford. Todos entusiastas do software livre, dos programas de inclusão digital, das redes de troca, do exercício da liberdade de conhecimento, expressão, criação e difusão.

    As iniciativas do governo brasileiro em relação ao uso do software livre e à inclusão digital foram muito citadas e elogiadas. Barlow chegou a chamar Porto Alegre de "a capital mundial da esperança", e disse que foi "um momento maravilhoso" a fala do presidente Lula em Davos, no Fórum Econômico Mundial. "Bill Gates tem medo do Brasil, porque o governo quer mudar para o software livre", destacou. Barlow declarou-se um "comunista, pois acredito em comunidades da mente" e profetizou: "qualquer um, em qualquer lugar desta planeta, terá acesso a tudo que qualquer um produza". É, declarou ele, seu ideal.

    Mas o acesso de todos a tudo levanta novamente a questão dos direitos autorais. Com a palavra, o muito lúcido Lawrence Lessig, advogado que defende a reapropriação das obras culturais pelos seus autores, sem intermediários, e que criou o que se considera uma primeira iniciativa para um novo sistema de licenciamento válido, o Creative Commons (CC). Longe de defender a pirataria ("não defendo que alguém lucre com o trabalho de outra pessoa"), o CC protege os direitos do autor da obra de distribuí-la livremente, ou restringir apenas em parte seu uso por terceiros. Ou seja, transforma o criador em "dono real" do seu trabalho, e entrega a ele a decisão de como se dará a distribuição.

    Aspectos técnicos e legais também foram abordados: Barlow lembrou o problema da largura de banda, que deve ser considerado, Gil a necessidade de um novo marco legal para a radiodifusão e a lei geral das comunicações. "A batalha da Internet livre e das conexões livres é a mais interessante e a mais atual das discussões políticas hoje", disse o ministro Gil.

    A discussão de alternativas de produção, distribuição e criação de obras culturais a partir da revolução digital atraiu muita gente e o público superou a capacidade do armazém A601 do Cais do Porto, que é de 600 pessoas. Havia gente sentada no chão e muitas, muitas pessoas de pé nas entradas do galpão. Do lado de fora, intenso movimento de gente que chegava perto das portas, se esticava um pouco para poder ouvir, mãos espichadas com máquinas digitais, filmadoras...

    Do lado de fora, Dani Castro, uma estudante carioca, pedia a alguém pelo celular: "Vai pra mim, por favor, eu vim aqui só pra ver o Gil mas a palestra tá muito boa, por favor". Depois, explicou: ela só queria um autógrafo e uma foto com o ministro, mas achou tão interessante o assunto que resolveu ficar - e pedia a uma das companheiras para ir até a barraca no acampamento acordar alguém.

    A liberdade de conhecimento é um dos temas principais desta edição do Fórum Social Mundial. O eixo "Pensamento Próprio, reapropriação e socialização dos saberes, conhecimentos e tecnologias" abrange mais de 20 seminários debatendo o uso do software livre, a propriedade intelectual, a liberdade de criação e a inclusão digital.

  • Redação Terra
    1. A Escola de Samba Unidos da Cidade Alegre busca sensibilizar a sociedade para a realidade das cidades e como melhorá-las.  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      A Escola de Samba Unidos da Cidade Alegre busca sensibilizar a sociedade para a realidade das cidades e como melhorá-las.

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    2. A escola de samba iniciou o desfile junto à Usina do Gasômetro, e foi até o Anfiteatro Pôr-do-Sol.  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      A escola de samba iniciou o desfile junto à Usina do Gasômetro, e foi até o Anfiteatro Pôr-do-Sol.

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    3. A infância, que também precisa de proteção e cuidado, é simbolizada nesta ala.  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      A infância, que também precisa de proteção e cuidado, é simbolizada nesta ala.

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    4. A primeira ala representa a exclusão nas cidades. Como diz o cartaz do integrante, a ala trata da realidade: a cidade de poucos.  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      A primeira ala representa a exclusão nas cidades. Como diz o cartaz do integrante, a ala trata da realidade: a cidade de poucos.

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    5. O mestre-sala e a porta-bandeira simbolizam a solidariedade e a união entre os povos.  Foto: Eva Mothci/Terra

      O mestre-sala e a porta-bandeira simbolizam a solidariedade e a união entre os povos.

      Foto: Eva Mothci/Terra

    6. Os participantes, que podiam simplesmente chegar, pegar a roupa e entrar nas alas, prestam muita atenção às instruções. Nada pode dar errado no desfile, afinal...  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      Os participantes, que podiam simplesmente chegar, pegar a "roupa" e entrar nas alas, prestam muita atenção às instruções. Nada pode dar errado no desfile, afinal...

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    7. A ala das baianas, tradicional em qualquer escola de samba, aqui representa o desejo de igualdade e respeito aos desiguais.  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      A ala das baianas, tradicional em qualquer escola de samba, aqui representa o desejo de igualdade e respeito aos desiguais.

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    8. As moças juntaram-se à escola de samba Unidos da Cidade Alegre.  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      As moças juntaram-se à escola de samba Unidos da Cidade Alegre.

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    9. De olho na letra do samba para não errar. Em forma de leque, ajuda na hora do calor, também...  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      De olho na letra do samba para não errar. Em forma de leque, ajuda na hora do calor, também...

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

    10. As passistas, na ala chamada Gestão Democrática, mostram a necessidade de a população ter atuação política para ocupar os espaços das cidades.  Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

      As passistas, na ala chamada Gestão Democrática, mostram a necessidade de a população ter atuação política para ocupar os espaços das cidades.

      Foto: Pedro Weber/Especial para Terra

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