Lula critica números do IBGE sobre a fome

20 de dezembro de 2004 • 20h53 • atualizado às 20h53
O presidente participou de celebração de Natal ao lado da primeira-dama, dona Marisa Foto: Agência Brasil
O presidente participou de celebração de Natal ao lado da primeira-dama, dona Marisa
20 de dezembro de 2004
Foto: Agência Brasil

Em celebração de Natal nesta segunda no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou para falar sobre o problema da fome no Brasil, criticando uma pesquisa do IBGE divulgada na semana passada que mostrava que 40,6% dos brasileiros são obesos. Para o presidente, nem todo mundo admite que passa fome.

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    "Pode colocar o Ibope, o Datafolha, o Vox Populi, pode colocar todos os institutos de pesquisa para saber se as pessoas estão com fome e, possivelmente, o resultado será negativo. Negativo, dizendo que todo mundo come bem. Não é todo ser humano que reconhece que passa fome, as pessoas têm vergonha. As pessoas não sentem orgulho de dizer 'eu passo fome, eu não comi as calorias e proteínas necessárias'", afirmou.

    Junto de Lula, participaram das celebrações ministros e grande parte dos funcionários da Presidência, juntamente com seus familiares. Lula usou a ocasião para tirar fotos, cumprimentar funcionários, dar autógrafos e ter um contato mais direto com filhos dos servidores da Presidência.

    A celebração também serviu para o ex-assessor especial do presidente Frei Beto se despedir oficialmente dos funcionários e abençoar todos os que trabalham diariamente no Palácio.

    Bem-humorado, ele disse que conviver com o presidente Lula no Palácio foi fácil. "Difícil foi conviver com o presidente durante os 31 dias que ele esteve preso em 1980", brincou.

    "Saio feliz do Palácio do Planalto, por ter ajudado a construir o programa Fome Zero, mas continuarei contribuindo com o governo naquilo que for necessário. O Fome Zero é prioridade", continuou.

    O presidente Lula reiterou que o combate à fome continuará sendo a prioridade do governo federal em 2005. "Nada vai mudar isso, a não ser no dia em que eu souber que todo o brasileiro está fazendo três refeições por dia", afirmou.

    Na opinião de Lula, não faltam alimentos no Brasil, mas sim poder de compra para grande parcela da sociedade. "Por que resolvemos dar dinheiro e não cesta básica? É porque no Brasil nós não temos problemas de alimento. Nós produzimos alimento per capita para sustentar toda a sociedade brasileira, nós entendemos que o que falta é poder de compra de uma grande parcela da sociedade", ressaltou.

    Lula reforçou a disposição de dar prioridade ao combate à fome em 2005 e disse que o Programa Fome Zero somente será desativado pelo governo federal depois que todos os brasileiros puderem fazer três refeições por dia.

    "O dia que eu tiver certeza de que todas as crianças estão tomando café de manhã, almoçando e jantando, não precisa mais ter programa Fome Zero. Nós vamos continuar com a mesma força, com o mesmo vigor, tentando cumprir a meta que estabelecemos de atender as 11,4 milhões de famílias que, segundo o próprio IBGE, não têm condições de comer as calorias necessárias. Quando atingirmos esse número, aí vamos ver se precisamos dar mais ou precisamos diminuir", declarou.

  • Agência Brasil
     
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