Brasil contesta crítica da ONU sobre aids e drogas

01 de dezembro de 2004 • 16h51 • atualizado às 16h51

Claudia Silva Jacobs

Brasília


O diretor do Programa Nacional DST/Aids, Pedro Chequer, disse que na próxima semana será enviada uma carta ao diretor executivo da Unaids, agência da ONU para o combate à aids, pedindo explicações sobre as críticas que a vice diretora-executiva, Kathleen Craveiro, fez ao tratamento aos usuários de drogas injetáveis no Brasil.

"Vamos formalmente pedir ao Peter Pior (diretor executivo) uma explicação, eu tenho certeza que esse não é o entendimento do diretor da Unaids, até porque o diretor da Unaids teve aqui há mais ou menos um mês atrás, esteve com o presidente, e discorrendo sobre a politica brasileira só foi elogios e recomendações para ampliar as coberturas", disse Chequer nesta quarta-feira.

A polêmica surgiu durante a entrevista coletiva de apresentação do relatório global sobre a aids, na semana passada, em Londres. Kathleen Cravero elogiou o programa brasileiro de tratamento e prevenção a Aids, mas disse que o governo precisava ter "um comprometimento para tratar desse problema" e reiterou: "O Brasil está caminhando para a mesma encruzilhada em que a Tailândia se encontra. Você precisa olhar os usuários, criar uma forma para que não procurem o submundo para compartilhar uma seringa entre dez pessoas, porque estão com medo de procurar ajuda."

Números
Pedro Chequer disse ter ficado surpreso com as declarações da vice-diretora da Unaids, e os números estão mostrando que o número de contaminações entre usuários de drogas vem caindo.

"Nós acabamos de divulgar nosso boletim na terça-feira, onde verificamos que houve uma redução no número de casos entre usuários de drogas como um todo. A incidência de casos de aids entre usuários de drogas caiu de modo profundo. Houve uma queda substancial. Foi o grupo onde a queda mais aconteceu. Não há nenhum grupo de vulnerabilidade que tenha caído tanto como os usuários de drogas. Esse é um dado importante do Brasil," declarou Chequer.

O relatório da Unaids dá destaque ao caso de Porto Alegre, onde 64% das pessoas infectadas com o vírus HIV são usuários de drogas injetáveis. Chequer diz que não está correto tirar o exemplo de uma cidade como a situação geral do Brasil. "A Kathleen utilizou um dado isolado de uma cidade (Porto Alegre), de uma pesquisa de uma cidade, mas o Brasil tem 5 mil municípios e não apenas um".

Chequer concorda que o Brasil precisa aumentar a cobertura de tratamentos de usuários de drogas injetáveis, mas diz que o Brasil está indo pelo caminho certo.

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