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PT investe em formação de partido de esquerda no Haiti

19 de novembro de 2004 22h38

A contribuição do Brasil no Haiti vai além dos militares que compõem a força de paz. O PT está se envolvendo diretamente na política local e vem colaborando com a criação de um partido de esquerda que deverá lançar candidato nas eleições presidenciais programadas para 2005.

O presidente do PT, José Genoino, acompanha a aproximação e o secretário-adjunto de Assuntos Internacionais do partido, Paulo Ferreira, já se reuniu duas vezes com lideranças da esquerda haitiana. Parlamentares também têm visitado o país.

No início do ano, um grupo de políticos deve vir ao Brasil, a convite da direção petista, para conhecer mais de perto experiências da legenda. "O PT está participando do processo político internacional, emprestando a sua experiência para que o Haiti, a esquerda e os progressistas haitianos estruturem uma organização partidária que contribua para o processo de reinstitucionalização de uma vida democrática no país", disse Ferreira à Reuters.

Ele ressalva, porém, que essa participação "não substitui em nenhuma hipótese aquilo que eles vão criar lá".

O novo partido será resultado de uma fusão de quatro siglas da esquerda que integraram a oposição ao ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. Ainda sem nome definido, o partido deverá ser oficializado entre março e abril.

Atualmente, existem mais de 60 legendas no Haiti, um país com cerca de 8 milhões de habitantes, diz Ferreira.

Com a fusão, esquerdistas haitianos pretendem concentrar as forças políticas e tentar chegar com mais chances às eleições. Os contatos da esquerda do Haiti com o PT são antigos. Um de seus principais ideólogos, Gerard Pierre-Charles, morto há poucos meses, esteve no Brasil há cerca de 15 anos e conhecia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Representantes das legendas também estiveram juntos em edições do Fórum de São Paulo, que reúne partidos de esquerda da América Latina. Dirigentes haitianos, diz Ferreira, já conhecem o histórico, documentos e estatutos petistas.

"O PT é uma referência interessante, muito importante porque não é uma referência como os partidos de esquerda da Europa, já que a realidade dos partidos do Brasil é mais próxima da realidade do Haiti", admitiu, por telefone, o coordenador do processo de fusão partidária, Michel Gaillard.

"E há uma experiência do PT concreta em administrações de esquerda no governo dos municípios que é muito importante para nós", acrescentou Gaillard.

Globalização
O partido de Lula é hoje a maior força de esquerda da América do Sul e do Caribe em termos de eleitorado, de número de parlamentares e de prefeitos, controlando 411 cidades. E é também o maior interlocutor internacional da esquerda do Haiti. Gaillard espera poder receber ajuda de petistas na elaboração de políticas públicas e na formação de quadros.

Até agora, nos encontros que mantiveram com Ferreira, políticos da esquerda haitiana mostraram especial interesse no espaço que o PT dá para diferentes tendências.

A colaboração do partido de Lula junto a políticos do Haiti não pode ser taxada como uma forma de ingerência em questões internas do Haiti, diz Ferreira. "Isso faz parte da dinâmica e das relações internacionais que todos os partidos mantêm", disse. "Hoje, numa dinâmica globalizada, nada impede que, aliás, pelo contrário, partidos de todos os espectros de direita, do centro, da esquerda, mantenham relações."

A estabilidade política do país é uma das preocupações da ONU e do governo brasileiro, como líder das forças de paz. O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, já declarou que três problemas precisam ser atacados agora no Haiti: o econômico, o social e o político.

No que diz respeito ao último ponto, o PT parece já ter começado a fazer sua parte.

Reuters
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