inclusão de arquivo javascript

 
 

Morte de Gangan pode gerar guerra do tráfico no RJ

14 de outubro de 2004 05h25 atualizado às 05h25

A morte do traficante Irapuan David Lopes, o Gangan, ocorrida ontem, deve desencadear uma guerra entre quadrilhas para o controle do tráfico no Rio de Janeiro. É o que teme o delegado Ricardo Dias Teixeira, que diz já ter avisado à Polícia Militar e aos delegados das áreas onde ficam as favelas antes controladas por Gangan, cuja posse poderá ser disputada pelas quadrilhas rivais. O corpo ainda está no IML. O enterro será às 17h de hoje.

O delegado recomendou reforço no patrulhamento principalmente nas proximidades dos morros da Serrinha, em Madureira, e dos Macacos, em Vila Isabel.

Ele vai pedir à Justiça a prisão do traficante Gilson Ramos da Silva, de 21 anos, o Gilson Aritana. Ele seria o sucessor direto de Gangan no comando das bocas-de-fumo do Complexo de São Carlos

"O Gangan era a estabilidade dessa estrutura do tráfico. Ele estava se estabelecendo como comerciante. A morte dele vai quebrar essa estrutura e pode haver uma guerra entre quadrilhas para tomar os pontos deixados por ele", disse Ricardo.

Polícia teme roubo de corpo e manifestações
A polícia está reforçando a segurança em frente ao Instituto Médico-Legal, no Centro do Rio, para impedir que rivais do tráfico invadam a unidade para roubar o corpo do traficante Gangan. O corpo deve ser liberado a qualquer momento. Três viaturas da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e uma do 1º BPM (Estácio) garantem a segurança do local.

Ainda não há informações sobre o velório, que por vontade da família seria na quadra do Morro de São Carlos. O enterro será às 17h de hoje no Cemitério Jardim da Saudade de Sulacap.

A Secretaria de Segurança Pública está montando um forte esquema de segurança para evitar tumultos no sepultamento. Pelo menos 160 homens estão sendo mobilizados para evitar que se repitam manifestações como as que ocorreram no enterro de Luciano Barbosa, conhecido como Lulu da Rocinha, em maio.

Quem for flagrado com faixas ou cartazes enaltecendo o traficante será detido e levado para a delegacia mais próxima.

A demora na liberação do corpo no IML deve-se a uma denúncia anônima recebida pela polícia de que um irmão gêmeo do traficante Gangan teria morrido em seu lugar. No entanto, o diretor do IML, Roger Ancillotti, confirmou que o corpo era realmente do traficante. Foram feitos exames de DNA, identificação datiloscópica e de arcada dentária.

Redação Terra