inclusão de arquivo javascript

 
 

Após conversa com Lula, Mercadante recua e fica na liderança

21 de agosto de 2009 11h25 atualizado às 16h04

'Minha trajetória não me permite sair', diz Mercadante

Apesar de ter anunciado na quinta-feira "em caráter irrevogável" sua saída da liderança do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP) recuou e nesta sexta-feira anunciou durante discurso no Plenário da Casa que permanece no cargo. Depois de ler uma carta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pedindo para que continuasse no cargo, o senador disse que "não tinha como dizer não" ao pedido.

Mercadante adiou na tarde de quinta-feira o pronunciamento no qual anunciaria sua saída, para ter uma reunião com Lula, na madrugada desta sexta-feira. Na manhã de ontem, Mercadante informou, no site de microblogs Twitter, que faria um pronunciamento à tarde para anunciar a saída da liderança do PT no Senado. "Eu subo hoje (ontem) à tribuna para apresentar minha renúncia da liderança do PT em caráter irrevogável", disse no Twitter.

Mais tarde, ainda no site, o parlamentar afirmou ter recebido um telefonema do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, dizendo que Lula queria conversar pessoalmente com ele antes do anúncio de sua decisão.

Como o presidente se encontrava no Rio Grande do Norte, e só chegaria em Brasília no fim da tarde, o senador adiou seu discurso. Mercadante justificou o adiamento porque devia o encontro ao presidente, "pelos anos de militância em comum".

Após a reunião com Lula por cerca de cinco horas no Palácio da Alvorada e, depois de receber, nesta manhã, uma carta do presidente, Mercadante disse ter repensaso a sua decisão. "Não tenho como dizer não a um pedido do meu companheiro", afirmou Mercadante, que lembrou a história e os tempos de criação do partido.

Frustração e descrença
Mercadante pensou em deixar a liderança, segundo interlocutores, após ser desautorizado pelo partido na votação do Conselho de Ética, em que foram rejeitados os recursos contra o arquivamento das 11 denúncias e representações apresentadas contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

No pronunciamento feito nesta sexta-feira, Mercadante afirmou que falou em frustração e descrença política ao lembrar o episódio no Conselho de Ética. Disse que sempre foi favorável à investigação dos atos secretos porque contrariam o princípio constitucional da igualdade e da transparência, mas defendeu uma investigação respeitando o direito de defesa.

"Nunca aceitei o caminho fácil da condenação sem defesa, do pré-julgamento do tribunal de exceção, ainda que seja mais fácil do ponto de vista eleitoral", disse.

Mercadante disse que, depois da reunião do Conselho de Ética, se reuniu com a bancada e ouviu dos senadores que não saísse da liderança. Afirmou que recebeu ligações do presidente do partido, Ricardo Berzoini, de José Dirceu "com quem não falava há muito tempo", dos senadores do partido e também dos de oposição, como o presidente do PSDB, Sérgio Guerra (PE), e o líder tucano, Arthur Virgílio (AM).

Divergência
Na quarta-feira, Mercadante havia dito, após os arquivamentos dos recursos contra José Sarney (PMDB-AP) no Conselho de Ética, que a crise na Casa contaminou seu partido.

O senador petista foi contra a orientação do partido e defendeu a investigação das ações contra Sarney, o que levou a insatisfação de parte da bancada e do presidente do partido, Ricardo Berzoini, com o parlamentar.

"Ao contrário dos que estão deixando o partido, saio da liderança para disputar, junto à militância, a concepção do PT que eu acredito", complementou o parlamentar, mais cedo, no microblog.

Arquivamentos
Os senadores do Conselho de Ética engavetaram, na quarta-feira, por nove votos a seis, os 11 recursos contra o presidente do Senado. As 11 acusações haviam sido arquivadas sumariamente pelo presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), aliado de Sarney. Ele alegou que todas as denúncias são baseadas em notícias de jornais e nenhum documento foi anexado para embasar a acusação. A oposição recorreu dos 11 arquivamentos e, por isso, eles foram a votação nesta quarta-feira, sendo vetados definitivamente. Os votos dos senadores do PT, indefinidos até o início da reunião, foram decisivos para o resultado.

Desde que assumiu o comando do Senado, José Sarney é acusado de cometer uma série de irregularidades, que incluem responsabilidade na edição dos chamados atos secretos, desvio de recursos de um patrocínio feito pela Petrobras à fundação que leva seu nome, além da prática de tráfico de influência em favor do namorado de uma neta sua. O PSDB e o Psol ajuizaram, ao todo, cinco representações contra o peemedebista. Outras seis denúncias foram protocoladas pelos senadores Arthur Virgílio e Cristovam Buarque (PDT-DF).

Redação Terra