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Envergonhado, senador petista diz que partido jogou ética no lixo

19 de agosto de 2009 17h28 atualizado em 20 de agosto de 2009 às 00h09

Paulo Duque (esq.) comanda a reunião do Conselho de Ética. Foto: Waldemir Barreto /Agência Senado

Paulo Duque (esq.) comanda a reunião do Conselho de Ética
Foto: Waldemir Barreto /Agência Senado

Marina Mello

Direto de Brasília


Após o arquivamento de todos os recursos contra o presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP), no Conselho de Ética, o senador petista Flávio Arns (PR) afirmou, no plenário do colegiado, ter vergonha de ser do PT. Ele disse também que a ética do partido foi "jogada no lixo". Após o discurso, Arns anunciou que vai recorrer à Justiça para tentar deixar o partido sem perder o mandato.

O comentário foi feito porque, somente com os três votos do PT, algum processo contra Sarney poderia ser desarquivado, mas, seguindo uma orientação da Executiva Nacional do PT, os senadores petistas que integram o Conselho acabaram votando pelo engavetamento.

"A ética do PT foi jogada no lixo, particularmente com a nota de seu presidente (Ricardo Berzoini) recomendando que a ética fosse jogada no lixo. Infelizmente, o partido deu as costas para a ética, para o povo, para bandeiras que são tão caras pra mim", disse.

"Me envergonho de estar no Partido dos Trabalhadores com este direcionamento que o partido está fazendo. É uma vergonha pra mim e quero dizer isso de maneira muito clara a meus eleitores", afirmou.

Os senadores do Conselho de Ética engavetaram, nesta quarta-feira, por nove votos a seis, os 11 recursos contra o presidente do Senado. As acusações haviam sido arquivadas sumariamente pelo presidente do Conselho de Ética, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), aliado de Sarney. Ele alegou que todas as denúncias são baseadas em notícias de jornais e nenhum documento foi anexado para embasar a acusação. A oposição recorreu dos 11 arquivamentos e, por isso, eles foram a votação nesta quarta-feira, sendo vetados definitivamente.

Desde que assumiu o comando do Senado, José Sarney é acusado de cometer uma série de irregularidades, que incluem responsabilidade na edição dos chamados atos secretos, desvio de recursos de um patrocínio feito pela Petrobras à fundação que leva seu nome, além da prática de tráfico de influência em favor do namorado de uma neta sua. O PSDB e o Psol ajuizaram, ao todo, cinco representações contra o peemedebista. Outras seis denúncias foram protocoladas pelos senadores Arthur Virgílio e Cristovam Buarque (PDT-DF).

Redação Terra