Em Florianópolis, o protesto ocorreu sob forte sol na avenida Beira Mar Norte
Foto: Fabricio Escandiuzzi/Especial para Terra
As manifestações pela saída do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), previstas para este sábado em Brasília, Belo Horizonte, Florianópolis e Salvador reuniram poucas pessoas nesta tarde. Ao lado do Congresso Nacional, na capital federal, aproximadamente 30 pessoas saíram em caminhada. Em Salvador, o grupo era de aproximadamente 100 manifestantes e, em Belo Horizonte, cerca de 50 pessoas participaram do protesto na praça Sete, no centro da capital mineira.
Sarney é acusado de cometer irregularidades na administração do Senado, empregar pessoas ligadas à sua família e desviar dinheiro público por meio de uma fundação que leva o seu nome. Onze representações foram apresentadas contra ele no Conselho de Ética do Senado, por quebra de decoro parlamentar, mas todas foram arquivadas pelo presidente do órgão e aliado de Sarney, Paulo Duque (PMDB-RJ).
Em Brasília, o grupo que se reuniu em frente ao Ministério da Saúde, ao lado do Congresso, era de 30 pessoas no início da caminhada na Esplanada dos Ministérios. Mais tarde, cerca de 150 manifestantes, segundo a PM, tentaram invadir as instalações do Congresso Nacional, mas foram contidos pela Polícia Legislativa. Em seguida, o grupo se dirigiu à casa particular do senador, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília. A Polícia Militar conseguiu fechar a rua logo no início do protesto, parando todos os veículos que se aproximassem da região e pedindo identificação dos motoristas. De acordo com os policiais militares, o senador "provavelmente" estava em casa no momento dos protestos.
Florianópolis
Ao contrário dos tradicionais protestos políticos, que se caracterizam pela presença massiva de jovens, em Florianópolis, a manifestação chamou atenção por reunir adultos e idosos. O protesto ocorreu sob forte sol na avenida Beira Mar Norte, uma das mais movimentadas da capital catarinense.
"As pessoas não param de dizer que não aguentam mais, só que não demonstram a revolta com os políticos", disse Marinelsa Prandin, que carregava cartazes em meio aos carros. "Sou dona de casa e estou aqui gritando por ordem. Não suporto mais ver isso na nossa política, mas se o povo não se unir não vai adiantar nada".
O engenheiro agrônomo Rogério Gasperin era um dos mais animados na manifestação. Ele pedia aos motoristas para que buzinassem caso reprovassem o presidente do Senado. "O brasileiro esquece do próprio voto. Tem que mostrar que está insatisfeito, sair às ruas e pedir o fim da roubalheira", afirmou. "Queremos ver o Brasil crescendo, e chamamos os estudantes para participarem de atos como esses".
Belo Horizonte
Para exigir o fim da corrupção no Congresso Federal, os participantes levaram para a praça Sete balões, apitos, faixas e cartazes com frases de protesto. Em coro e com apitaço, gritaram "Fora Sarney", "O Senado é uma vergonha" e "Abaixo a corrupção".
"Começa assim mesmo, com pouca gente, mas se houver divulgação da mídia, principalmente, vai aumentando. É preciso que a população brasileira acorde, porque se nós não fizermos nada os políticos é que não vão fazer mesmo. Veja só o Senado, estão fazendo um acordo para salvar o Sarney", reclamou o engenheiro Aloísio de Araújo.
A aposentada Creusa Lages era uma das mais irritadas. "O Lula está patrocinando o Sarney lá. Fora os dois e toda a curriola. Chegou a um ponto, principalmente para o aposentado, que só resta ir para a rua. Virei todas as vezes que tiver o movimento. Fora Sarney, fora Collor (o ex-presidente e senador Fernando Collor), fora Renan Calheiros (senador do PMDB-AL), fora todos", afirmou.
Salvador
Com apitos, faixas, cartazes e caras pintadas, cerca de 100 estudantes realizaram manifestações na avenida Garibaldi, em Salvador (BA). Os estudantes de Ensino Médio eram maioria, sobretudo os menores de 18 anos. Alguns professores se juntaram ao protesto, que reuniu em torno de 100 pessoas.
"Esta manifestação serve para demonstrar que os estudantes de todo País não estão alienados. Estamos cansados de tanta corrupção. Precisamos fazer uma limpa no Senado", afimrou Leonardo de Cruz Rodrigues, 17 anos, membro da Associação de Grêmios e Estudantes de Salvador (Ages).
Com gritos de "Ão, ão, ão, eu quero é cassação", os manifestantes chamavam a atenção dos motoristas que passavam pelo local buzinando e acenando em apoio aos estudantes. "Nossa geração tem muitos outros motivos para ir às ruas protestar. A luta para tirar o Sarney do Senado é apenas um símbolo da nossa indignação", disse Paulo Henrique, 17 anos, estudante paulista que mora há quatro anos em Salvador.
Especial para TerraColaborou com esta notícia o internauta Hugo Cordeiro, de Belo Horizonte (MG), que participou do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.



















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