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 Simon ignora PMDB e pede renúncia de Sarney em Plenário
03 de agosto de 2009 16h52 atualizado às 18h41

Simon volta a pedir renúncia de Sarney

Marina Mello

Direto de Brasília


Apesar de ontem o comando do PMDB ter divulgado nota orientando os membros da legenda a apoiar o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o senador Pedro Simon (PMDB-RS) voltou a defender nesta segunda-feira a sua renúncia do cargo.

Para Simon, a única forma de manter um mínimo de "dignidade" para com a biografia de Sarney é com sua saída da presidência da Casa, antes que o Conselho de Ética comece a julgar as representações contra o senador.

Mesmo já tendo assumido uma postura mais dura em relação à crise e à permanência dele no cargo, Simon disse estar defendendo a renúncia de Sarney por considerar que será mais honroso para a sua história se afastar do que ser alvo permanente de denúncias.

"Meu objetivo hoje é a palavra de entendimento e de profundo respeito. Se Sarney puder renunciar à presidência, tendo em vista a situação que se encontra o Senado, é um grande gesto dele que somará na sua biografia", disse.

O senador criticou o fato de o Palácio do Planalto ter supostamente pedido ao PT para que não dê o "tiro de misericórdia" em Sarney e disse que esse tipo de situação é "humilhante" para sua biografia.

Sarney é acusado de cometer irregularidades na administração do Senado, empregar pessoas ligadas à sua família e desviar dinheiro público por meio de uma fundação que leva o seu nome.

Na última semana, o PSDB protocolou três representações contra o senador no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro parlamentar, o que aumentou ainda mais a pressão para que Sarney deixe o cargo. Outras duas ações foram apresentadas pelo Psol. Se levados adiante, os processos podem causar a cassação do mandato do presidente do Senado.

"Missão de paz"
Ao defender novamente a renúncia de Sarney, Simon ressaltou estar em "missão de paz" e deixou claro que ele e todos os outros senadores foram omissos e por isso tem culpa junto a Sarney pela grave crise que atinge o Senado. Simon lembrou que a Casa viveu outras crises nas quais os então presidentes renunciaram e questionou por que o mesmo não pode valer para Sarney.

"Durante todas essas crises, nós, senadores, não tivemos a competência, a capacidade, as condições para fazer as transformações necessárias à vida do Congresso e à vida do Senado. É lixo jogado para baixo do tapete, deixa como está, empurra para frente. E as coisas continuaram. E hoje nós chegamos a este momento", avaliou.

O senador ainda lamentou a situação de crise e a super exposição à qual Sarney vem sendo submetido por causa da crise. "É impressionante o número de jornalistas que, nas crônicas, escrevem sobre o fechamento do Congresso! Congresso, mentira. Sobre o fechamento do Senado. Para que Senado? Chega a Câmara! Esse negócio de Senado como Câmara Revisora é uma confusão! Não há razão de ser! Dez mil funcionários! Para quê?", questionou.

Para Simon, os desdobramentos que se dão no Senado por causa da crise contra Sarney colocam a Casa numa situação complicada. "O líder do PMDB, entrando com uma representação contra o líder do PSDB, abrindo essa discussão e esse debate. O Senado está conflagrado definitivamente. Partiremos para uma situação que a gente sabe quando começa, mas não sabe como termina", afirmou.

Além do enfraquecimento do Senado, Simon citou a crise como um processo humilhante para o próprio Sarney, em especial porque sua permanência no cargo é constantemente relacionada ao apoio do PMDB ao governo Lula.

"O presidente Lula disse que a questão do presidente Sarney é uma questão do Senado. Ele só faz um apelo dramático, para que o PT não dê o 'tiro de misericórdia'. Que expressão mais infeliz, que expressão mais triste. Eu não penso assim. Eu não estou imaginando que o afastamento do Sarney seja um 'tiro de misericórdia'. Estou imaginando que o afastamento do Sarney, a renúncia - ele a prevendo - é um gesto de grandeza que pode realmente trazer a paz a esta Casa", concluiu.

Redação Terra