Em São Joaquim (SC), árvores foram irrigadas durante a noite para a formação de gelo
Foto: Wagner Urbano/Divulgação
A massa de ar polar que atinge a região Sul do País provocou temperaturas negativas em diversas cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul nesta madrugada, que já pode ser considerada a mais fria do ano. São Joaquim (SC) e Cambará do Sul (RS) tiveram a temperatura mais baixa da região. Nas duas cidades, a mínima ficou em -5.8°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A frente fria também atingiu parte do Sudeste, como São Paulo e Rio de Janeiro.
No Rio Grande do Sul, o frio não era tão intenso desde 2004, quando fez -6,4°C em Cambará do Sul. Nesta sexta, as temperaturas também estavam negativas nas cidades gaúchas de Vacaria, onde fez -4,9°C, em São José dos Ausentes, com -4,1°C, e em Santana do Livramento e Quaraí, com -3,6°C. Em Passo Fundo, fez -1,7°C, em Bagé e em Uruguaiana, a temperatura era de -0,6°C. Em Porto Alegre, os termômetros marcaram 2°C na região do Aeroporto Internacional Salgado Filho.
Em Santa Catarina, às 6h, fazia -0,8°C em Joaçaba e -1,8°C em Curitibanos. Em Bom Jesus, a mínima registrada foi de -4,2°C e em Campos Novos, de -2,8°C.
De acordo com informações do Inmet, também houve temperaturas negativas no Paraná, nas cidades de Clevelândia, com -2,1°C, e General Carneiro, com -2,2°C, ambas localizadas no Sul do Estado. Em Curitiba, a mínima ficou em 8°C.
Além do Sul do País, a massa polar também fez caírem as temperaturas em São Paulo. Apesar da chuva, que atingiu grande parte do Estado durante a madrugada, os termômetros na capital paulista registravam 13°C por volta das 7h30. Segundo o meteorologista Alexandre Nascimento, da Climatempo, a previsão é de que a temperatura caia mais ao longo do dia e a máxima não deve passar dos 15°C. Em Campos do Jordão, por exemplo, fez 12°C nesta manhã, mas a temperatura pode chegar aos 8°C à noite.
"Difícil de sair da cama"
O motorista Jeferson dos Santos Oliveira, 35 anos, que leva funcionários para uma empresa em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, teve de enfrentar o frio às 4h45 desta madrugada. "Foi difícil de acordar hoje", disse Oliveira.
Já o porteiro Marcus André Souza dos Santos, 26 anos, que passa a noite na portaria de um condomínio no bairro Cavalhada, na zona sul de Porto Alegre, buscou espantar o frio tomando chimarrão. Vários carros dos moradores do prédio onde Marcus trabalha ficaram cobertos de gelo pela manhã.
O colega de Marcus, Celso Sadowski, 37 anos, apesar de ter passado a fria madrugada em seu posto de trabalho, comemorou nesta manhã o fato de estar de folga na próxima noite, quando as temperaturas prometem ser ainda mais baixas.
Karoline Rodrigues, 25 anos, promotora de merchandising, disse que foi "horrível" levantar nesta manhã. Ela, que disse que tem bronquite e está com uma tosse permanente, afirmou que a vontade era de ficar na cama. A recepcionista Taís Bueno, 29 anos, tomou banho cedo e saiu para a rua com os cabelos molhados. Para se proteger do frio, usava casaco e manta.
Jeferson Faria Oliveira, 45 anos, saiu de casa cedo para ir para o Hospital Conceição, na zona norte de Porto Alegre, onde trabalha. Morador do lado oposto da cidade, ele leva duas horas até o local. "Tem que enfrentar o frio, pois não tem outra opção".
Michele Griebler, 27 anos, agente de viagens, saiu de casa as 6h30. Após ouvir no rádio que as temperaturas se aproximavam dos 3°C, se preparou para enfrentar o frio: "Coloquei todas as roupas que eu tinha".
Reforço na roupa
Em Florianópolis, quem saiu de casa muito cedo para o trabalho não teve outra opção a não ser abusar dos agasalhos. A ambulante Terezinha de Cássia, 51 anos, foi a primeira a chegar diante do Terminal Central de ônibus, por volta das 4h45. "Estou usando duas meias de futebol e três calças de moletom", garantiu. "Esse é o meu segredo para suportar tanto frio. O que incomoda é o vento, que corta a gente".
Na capital catarinense, os termômetros de rua marcavam 6°C, mas o vento dava uma sensação de ainda mais frio. Depois de quase toda a semana com muita instabilidade, a massa de ar frio e seco deixou o tempo claro nesta manhã.
O vigilante César Cancian Pereira, 25 anos, reclamou de acordar cedo com tanto frio. Morador de São José, na região metropolitana, ele começa a sua jornada de trabalho às 6h. "Tomei um café para tentar esquentar, mas quando dei o segundo gole já estava tudo gelado", disse. "Eu acho muito difícil levantar cedo no inverno".
A expectativa é que a massa de ar polar atue com toda a força na próxima madrugada em Santa Catarina. Para São Joaquim, a temperatura pode chegar aos -6°C e a sensação térmica pode se aproximar dos -15°C nas primeiras horas de sábado.
8°C em Curitiba
Os 8ºC registrados em média pelos termômetros de Curitiba no início desta manhã não foram a temperatura mais baixa do ano na capital paranaense - que já registrou 0ºC no dia 4 de junho - mas ninguém ousou sair de casa desagasalhado ou sem guarda-chuva. Mesmo assim, os curitibanos comemoraram o fato de o dia não ter amanhecido com chuva, como aconteceu na quarta e na quinta-feira.
Sem muito vento, a sensação térmica não se alterou muito em relação à temperatura medida. A máxima prevista para esta sexta-feira, de acordo com o Instituto Tecnológico Simepar, é de 15ºC na capital paranaense. Já no fim de semana, poderá ser um pouco mais frio. O sábado deverá ter temperatura mínima de 5ºC, com a máxima não passando de 13ºC.
No Paraná, o frio mais intenso, nesta sexta-feira, ocorreu no sul, centro e oeste do Estado. Foz do Iguaçu e Cascavel (no oeste) registraram 1ºC na madrugada. Em Guarapuava (região central), os termômetros marcaram 0ºC. Na região sul, foram registradas temperaturas negativas: -1ºC em Pato Branco e -3°C em Palmas, a cidade mais fria do Estado.
Especial para Terra Colaboraram Fabiana Leal, de Porto Alegre, Fabrício Escandiuzzi, de Florianópolis, e Roger Pereira, de Curitiba.Colaboraram com esta notícia os internautas Juca Pires, de Porto Alegre (RS), Rodrigo Callegado, de Santo Ângelo (RS), Luiz M. Blanco, de Santana do Livramento (RS), e Claudia Cavalheiro e Nilson Palandi, de Caxias do Sul (RS), que participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.






























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