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Família precisaria de R$ 8 mil para deixar aeroporto do Rio

16 de julho de 2009 19h01 atualizado às 22h20

Liliana Edith Sava cuida de uma das 3 filhas no aeroporto Aeroporto Internacional Tom Jobim. Foto: Daniel Gonçalves/Terra

Liliana Edith Sava cuida de uma das 3 filhas no aeroporto Aeroporto Internacional Tom Jobim
Foto: Daniel Gonçalves/Terra

Daniel Gonçalves

Direto do Rio de Janeiro


Uma família argentina que há um pouco mais de um mês está morando no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim (Galeão), na Ilha do Governador, ainda não sabe como finalmente conseguirão voltar para casa, no Panamá, na América Central. Carlos Chavez, 49 anos, acompanhado da irmã, Edith, da esposa, Liliana, 43 anos, e das três filhas pequenas, viajou há cerca de oito meses atrás para a Argentina, pois o sogro estava doente. Eles pretendiam ficar apenas 15 dias, mas acabaram tendo que estender a viagem e perderam o voo. Agora, sem dinheiro, precisariam de cerca de R$ 8 mil para retornar à Ciudad de David.

A família então decidiu vir ao Rio, pois daqui o valor das passagens seria mais barato. Contudo, desde o dia 11 de junho eles têm morado no Galeão, dormindo nos bancos e se alimentando com o auxílio de outras pessoas. O policial militar José Walber Francisco dos Santos se sensibilizou com a história e desde então faz o possível para ajudá-los. A cunhada do PM, Dínis Fath Mari dos Santos, diz que o maior problema da família é não ter perspectiva de onde tirar dinheiro para pagar a passagem de todos.

"A gente quer ajudar, mas não tem muito que fazer. Eles precisam da ajuda de todo mundo. Em até acolhi eles em minha casa quando uma das meninas fez aniversário, mas lá não tem espaço para todo mundo", afirmou Dínis.

Funcionários de uma lanchonete do aeroporto arrecadaram R$ 26 para que a família conseguisse liberar as bagagens. "Eles não são de pedir nada, não. São ótimas pessoas", afirmou a atendente Andréa. Segundo o atendente Rodrigo Nascimento, uma mulher que trabalha na TAM e empregados de outro restaurante colaboraram com comida.

O consulado argentino informou à família que só pode oferecer ajuda para que eles voltem para Buenos Aires. Já o consulado panamenho explicou que não pode fazer nada, já que o casal só mora a três anos naquele país e, portanto, ainda não possuem cidadania panamenha.

A mãe da família, Liliana Sava, explicou que não tem como morar com o pai na Argentina, já que a casa possui apenas dois cômodos. "A situação está muito mal. Está cada vez pior. A pressão do meu marido está alta e ele sofre de problemas no coração. Quanto tempo se pode viver com três crianças sem emprego? Ao menos recebemos ajuda de muita gente", explicou.

Ainda de acordo com Liliana, eles só possuem amigos na Venezuela, que não sabem do problema. Por isso, uma das soluções seria eles viajarem para Boa Vista, em Roraima, e de lá seguir até Caracas.

As duas filhas menores, Bianca e Joana, de 5 e 2 anos, começam a apresentar problemas respiratórios por causa do ar condicionado do aeroporto. A mais velha, Elizabeth, 6 anos, é a mais inquieta e demonstra desconforto.

Os pais informaram que podem receber ajuda da secretaria de Assistência Social do Município do Rio de Janeiro, que tentaria colocá-los num voo dos Correios. A informação ainda não foi confirmada pela assessoria de imprensa da empresa. A Infraero, que gerencia o Galeão, não se pronunciou sobre o caso.

Redação Terra