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Lula pede 'muito cuidado' com denúncias contra Sarney

15 de julho de 2009 17h50 atualizado às 17h53

Laryssa Borges

Direto de Brasília


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a sair em defesa nesta quarta-feira do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e disse que as denúncias de irregularidades na fundação que leva o nome do parlamentar devem ser tratadas "com muito cuidado". Lula, que já havia declarado que Sarney deveria ser tratado de forma diferente dos demais cidadãos, disse ser contra o afastamento temporário do senador e afirmou que o peemedebista tem agido corretamente para debelar a crise que assola o Congresso.

"Não se trata de dar apoio ao Sarney ou ser contra o Sarney. Se trata que, na medida em que se levanta a denúncia, se faça a apuração. Acho que as coisas estão sendo feitas corretamente no Senado. O Sarney pediu à (Fundação) Getúlio Vargas para fazer uma investigação e apresentar uma proposta de administração do Senado. O Sarney pediu para a Polícia Federal fiscalizar as denúncias de emprego. As coisas estão sendo feitas", comentou.

"Se cada pessoa renunciar quando alguém faz uma denúncia sem provas e antes de ser provado, o Brasil não vai ter (ninguém). Nós precisamos tomar muito cuidado, muito cuidado porque se cada vez que sair uma denúncia contra você a gente pedir para o jornal afastar você, não vai ter mais jornalista no cargo, não vai ter mais presidente do Senado, não vai ter mais ninguém no cargo. É preciso que a gente respeite apenas a seriedade (com que a crise vem sendo conduzida)", ressaltou Lula após participar de almoço em homenagem ao novo presidente da Embrapa, Pedro Arraes.

"Há 18 anos o Sarney tem a fundação dele. Tem denúncia, investiga. (Deve-se questionar se) A denúncia tem fundamentos? Tem. Apura-se. Apurou-se? Aí toma a atitude que quiser porque senão a gente fica criando crise desnecessária. O Senado só tem gente experiente. Você acha que tem algum bobo no Senado? O bobo é o que não foi eleito. Os espertos estão todos eleitos", declarou.

Ao comentar a crise no Senado, o presidente Lula disse que não poderia opinar sobre o que deveria ser feito, mas relatou um episódio em que o então presidente da Câmara dos Deputados, Ulysses Guimarães, o ensinou que no Congresso não existia "bobo".

"Ele (Ulysses) disse que os que não sabem de nada são os suplentes. Ninguém é eleito à toa. Não sou senador. Não me perguntem o que o Senado vai fazer. Já tenho um trabalho imenso para tomar conta do governo. Como é que eu vou tomar conta do Senado? O Senado tem maioridade", declarou, lembrando que, enquanto não houver condenação, todas as pessoas devem ser tratadas como inocentes.

"Estou convencido de que todas as pessoas são inocentes até que se prove o contrário. Todas as denúncias são carecedoras de investigação. Se aprovada (a investigação), seja o presidente da República, o do Senado, o da Câmara ou o presidente do jornal que vocês trabalham, todos têm que ser punidos. Mais do que isso, o que eu posso falar? Eu não sou juiz, não tenho como punir as pessoas", disse Lula.

Ao defender Sarney, o presidente chegou a citar o caso do ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que pediu demissão do cargo após ter sido acusado de receber propina da empreiteira Gautama para facilitar a entrada da construtora em projetos do governo federal. "Haverá um dia em que o Brasil pedirá desculpas ao ministro Silas porque inventaram que ele tinha dinheiro dentro de um envelope. Ele não voltou ao governo apenas por cautela. Na medida em que a pessoa é indiciada, pelo bem da pessoa às vezes a própria pessoa pede para se afastar. Às vezes as pessoas pagam um preço muito pesado e quando no processo é inocentada não aparece nenhum vizinho para pedir desculpas à pessoa", avaliou o presidente Lula.

Redação Terra