O médico José Roberto Tisi Ferraz, suspeito de ter tratado com descaso a jovem Manuela Costa, 29 anos, no Hospital Miguel Couto, no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, não compareceu à delegacia para prestar depoimento sobre o caso na tarde desta quinta-feira. Segundo a delegada Tércia Amoêdo, da 14ª DP, ele será intimado pela Justiça para depor.
Alegando falta de vagas no Miguel Couto, Ferraz teria escrito no braço da jovem o nome da Maternidade Fernando Magalhães e os números das linhas de ônibus que poderia pegar para se deslocar até lá. Com a demora no atendimento, o bebê nasceu morto.
De acordo com a delegada, o médico será intimado na semana que vem e o comparecimento será obrigatório. Em sua defesa, o profissional deve alegar que só havia três obstetras de plantão, sendo que dois estavam realizando um parto, e que Manuela não estava em trabalho de parto.
Na quarta-feira, a jovem prestou depoimento e contou que Ferraz a tratou mal. "Ele a pegou pelo braço de forma ríspida e a levou em várias salas para mostrar que todas estavam cheias", afirmou Michel Assef, advogado da paciente.
Manuela disse que chegou ao Miguel Couto com fortes dores, às 7h30, e foi atendida em 15 minutos. O médico a examinou e escutou o bebê. Em seguida, disse que o hospital estava lotado e a mandou embora. Ela e o marido pediram ajuda nas ambulâncias à porta, e então pegaram uma van.
A delegada crê que o bebê tenha morrido devido ao descolamento de placenta, no trajeto até São Cristóvão. "Não sei se ele realmente não tinha condições de tratar, mas deveria ter encaminhado de ambulância", disse.
O médico, que foi afastado de suas funções públicas, suspendeu também as consultas que seriam realizadas esta semana no seu consultório particular, em Copacabana. Formado há 32 anos pela Universidade Federal Fluminense, o médico especializou-se em ginecologia entre 1978 e 1979.
O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.