Jobim diz que escavação no Araguaia começará em agosto

09 de julho de 2009 • 13h14 • atualizado às 13h14

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou nesta quinta-feira que os trabalhos de escavação no Araguaia para localizar corpos de guerrilheiros e militares mortos durante a Guerrilha (1972-1975) devem iniciar em agosto. O grupo de trabalho que acompanha a busca ainda está na fase de reconhecimento das áreas onde estariam as ossadas. As informações são da Agência Câmara.

A partir de novembro, haverá um trabalho de laboratório para avaliar os resultados das escavações. "Esses prazos são elásticos, principalmente os relativos aos trabalhos de campo. Por enquanto, a única coisa definida é a data de início dos trabalhos", afirmou Jobim, em audiência pública promovida pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

A criação do grupo de trabalho para a realização das buscas foi feita com base em uma sentença judicial de 2003, informou o ministro. A decisão determinava que a União, entre outras ações, localizasse as ossadas de desaparecidos.

O fato de a coordenação dos trabalhos ter ficado a cargo do Exército constrangeu parentes de desaparecidos. O ministro, no entanto disse que o Exército foi escolhido para fornecer a base logística ao trabalho dos participantes do grupo, que inclui representantes de instituições do Pará e do Distrito Federal, técnicos e observadores independentes.

Jobim disse que o grupo de trabalho poderá ser supervisionado por um comitê institucional, ainda a ser criado. Ele ressaltou que o grupo de trabalho não tem poder decisório.

Curió
Ainda de acordo com informações da Agência Câmara, Jobim afirmou que outros militares se mostraram dispostos a contribuir com informações. No mês passado, o major reformado Sebastião Curió disse à imprensa que 41 membros da Guerrilha do Araguaia mortos pelas Forças Armadas foram executados depois de presos.

As declarações do ex-oficial, que fez parte da repressão à guerrilha, têm como base uma série de documentos pessoais de Curió.

O ministro considera mais adequado, no entanto, que os depoimentos dos militares se deem em juízo. "O depoimento perante o ministro da Defesa não tem as mesmas características que um em juízo", afirmou.

Redação Terra
 
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