Ambulâncias estavam disponíveis para grávidas rejeitadas por médico

08 de julho de 2009 • 01h54 • atualizado às 01h54

Vinte e sete ambulâncias da Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil estavam paradas na manhã de quinta-feira quando três grávidas receberam ordem do médico José Roberto Tisi Ferraz, do Hospital Miguel Couto (Gávea), para pegarem ônibus até a Maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão. Segundo fontes da prefeitura, não foi encontrado registro de pedido de ambulância para a remoção das grávidas. Uma delas, Manuela Costa, 29 anos, perdeu o bebê aos 7 meses de gestação devido a descolamento de placenta.

Segundo a secretaria, um processo administrativo disciplinar poderá ser aberto ainda esta semana caso o resultado da sindicância interna instaurada para investigar o caso comprove as irregularidades cometidas pelo médico. Ele alegou superlotação no hospital e escreveu no antebraço das gestantes o nome da maternidade e o número dos ônibus que as três deveriam pegar para chegar a São Cristóvão. A punição máxima para um processo administrativo, que poderá ser conduzido pela Secretaria Municipal de Administração, é a demissão do servidor.

"Quando a maternidade está com todos os leitos ocupados, o que o médico deve fazer com a gestante? Transferir? Operar? Não vi esse plano de conduta no Miguel Couto. Se existe, ele não foi usado. O hospital conta com ambulância terceirizada e ainda tem o Samu. As gestantes não poderiam ter ido de ônibus", disse ontem o vereador Paulo Pinheiro, que fez uma vistoria no Miguel Couto com a Comissão de Direitos Humanos da Alerj.

Ontem, a Secretaria de Saúde encaminhou uma carta ao conselho de ética do Miguel Couto e ao Cremerj afirmando que as três gestantes tinham "encaminhamento" anotado no antebraço e que o procedimento "contraria todos os protocolos e rotina" do órgão.

O médico José Roberto Tisi Ferraz não é cadastrado na Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. De acordo com a sociedade, ele não é obrigado a se associar. O Cremerj não sabe informar se o médico tem o título de especialista.

Processo contra médico e prefeitura
Manuela, que recebeu alta ontem da UTI da Maternidade Fernando Magalhães, vai processar o médico do Miguel Couto, a prefeitura (responsável pelo hospital) e uma médica da Maternidade Fernando Magalhães por danos morais, segundo o advogado Michel Assef.

De acordo com relato de Manuela a Assef, a médica teria dito em entrevista que a paciente seria usuária de drogas. Segundo Assef, Manuela prestará depoimento hoje na 14ª DP (Leblon), que investiga o caso.

O Dia - © Copyright Editora O Dia S.A. - Para reprodução deste conteúdo, contate a Agência O Dia.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »