Valquíria Gonçalves Bernardo, 22 anos, uma das três gestantes que tiveram atendimento recusado por um médico no Hospital Miguel Couto, no Leblon, na zona sul do Rio de Janeiro, na última quinta-feira, afirmou que o profissional foi "grosseiro" ao dispensá-la. "O médico agiu grosseiramente. Me puxou pelo braço e, sem dizer nada, escreveu nele o nome da maternidade Fernando Magalhães e as linhas de ônibus que eu teria que pegar", contou.
Apesar de já estar com a bolsa rompida, Valquíria pegou um ônibus e conseguiu chegar à maternidade a tempo de seu bebê nascer. O médico, que não teve o nome divulgado, foi suspenso no domingo pela Secretaria Municipal de Saúde e Defesa Civil (SMSDC). Ele ficará afastado das funções até o fim das investigações, que deverão ser concluídas até o final desta semana e não mais em três, segundo a secretaria. Um inquérito policial também foi aberto na 14ª DP (Leblon).
O profissional orientou as três gestantes a irem de ônibus para a maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão e ainda anotou no braço delas o número das linhas de ônibus - 460 (São Cristóvão-Leblon) e 476 (Méier-Leblon) - que teriam que pegar. Manuela Costa, 29 anos, que apresentava gravidez de risco, com sete meses de gestação, acabou perdendo o bebê.
Valquíria contou que nem teve tempo de discordar da atitude do médico e saiu às pressas do Miguel Couto. Segundo ela, o ônibus que pegou a deixou longe da Fernando Magalhães, obrigando-a a pedir carona a um desconhecido para chegar até a maternidade. Seu bebê passa bem.
Segundo Valquíria, quando ela chegou ao Miguel Couto, o médico também já a havia puxado pelo braço. "Ele me levou até a enfermaria para mostrar que não havia vagas, mas eu disse que precisava de atendimento, porque minha bolsa tinha rompido", explicou.
Manuela Costa permanece internada na Fernando Magalhães. A Secretaria de Saúde informou que ela precisou ser removida no final da tarde de domingo para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da maternidade Fernando Magalhães, em São Cristóvão.
De acordo com o órgão, Manuela sofreu anemia logo após a cesariana a que foi submetida. Com isso, teve que voltar para a UTI para realizar uma transfusão de sangue. Ela ainda não tem previsão de alta.
A gravidez de Manuela era de risco, porque houve descolamento prematuro de placenta. Depois de ter sido orientada pelo médico do Miguel Couto a ir de ônibus para a maternidade, ela acabou perdendo o bebê que seria a sua primeira menina (já tem dois filhos homens).
Redação Terra