Auditoria externa irá verificar contas de R$ 160 mi do Senado

05 de julho de 2009 • 18h52 • atualizado às 19h17

Laryssa Borges

Direto de Brasília


O diretor-geral do Senado, Haroldo Feitosa Tajra, confirmou neste domingo que, por determinação do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), uma auditoria externa começará a trabalhar para verificar a movimentação de três contas bancárias supostamente secretas que, juntas, têm saldo atual de R$ 160 milhões. Reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste domingo aponta que o então diretor-geral, Agaciel Maia, controlava as movimentações desde 1997 "sem prestar esclarecimentos a ninguém".

Ao Terra, o senador Renato Casagrande (PSB-ES) defendeu uma ampla investigação das novas movimentações, lembrando que ele próprio havia anunciado a descoberta de outras duas contas bancárias paralelas com recursos no valor de R$ 3,74 milhões e pedido apuração sobre a origem delas. Mais tarde descobriu-se que as contas apontadas por ele eram legais.

"Por determinação do presidente do Senado, senador José Sarney, esta diretoria contratará auditoria externa para verificar a regularidade da movimentação dessas contas", disse Tajra, explicando que as contas no valor de R$ 160 milhões não são secretas. Elas teriam, de acordo com o dirigente, regras definidas por uma resolução do Senado de 1991.

"As movimentações dessas contas não se dão de forma livre, mas conforme determina o mesmo dispositivo legal", ressalta o diretor-geral, em nota à imprensa.

Haroldo Feitosa Tajra também observa que existe um motivo para que os recursos contidos nessas contas não sejam registrados no Siafi, o sistema de acompanhamento de gastos do governo federal. "Tais contas não são movimentadas via Siafi porque não se tratam de recursos públicos, mas recursos provenientes do desconto da contribuição mensal paga pelos (...) funcionários do Senado Federal e seus dependentes", afirma a nota.

Segundo o diretor-geral do Senado, independentemente da auditoria externa, as contas da Casa têm relatórios mensais, onde são explicitadas todas as movimentações. "Desde quarta-feira passada, dia 1º de julho, a definição do novo presidente do Conselho de Supervisão do SIS (Sistema Integrado de Saúde, órgão que detém as contas) foi incluída na pauta da próxima reunião da Comissão Diretora, bem como a indicação dos demais membros, a ser definida em reunião do Conselho de Administração", conclui a nota.

Apontado pela Folha como controlador das movimentações das contas supostamente secretas de R$ 160 milhões, Agaciel Maia foi afastado do cargo de diretor-geral do Senado em março, acusado de não ter declarado em seu Imposto de Renda um imóvel.

Redação Terra
 
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