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 Milícia ameaça testemunha; a família está desaparecida
04 de julho de 2009 04h48

A Liga da Justiça continua desafiando os órgãos de segurança do Estado do Rio de Janeiro. Nessa sexta-feira, dia seguinte ao assassinato de Leonardo Varing Rodrigues, 24 anos - uma das testemunhas de chacina que deixou sete mortos na favela do Barbante, em Campo Grande, em agosto -, a quadrilha ameaçou o irmão da vítima, que conseguiu escapar do atentado da tarde de quinta-feira, em Cosmos. O recado foi direto e assustador: se ele for ao enterro, previsto para este sábado, será executado dentro do cemitério.

L. ficou apavorado e ontem pediu ajuda à Polícia Civil e ao deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL), presidente da CPI das Milícias. Ele foi encaminhado ao Ministério Público Federal, que o incluiu no Programa de Proteção a Testemunhas.

"Eles mandaram um recado através de vizinhos e amigos, que se eu aparecer no enterro, vão me matar lá mesmo. Estou desesperado, quero pelo menos enterrar meu irmão!", implorou ele, apavorado.

Seu primo Y. - que juntamente com Leonardo havia testemunhado a chacina do Barbante - já tinha pedido proteção desde que, na noite de terça-feira, milicianos invadiram a casa de sua família que, desde então, está desaparecida. Foram levados o pai do rapaz, Vicente de Souza, 90 anos, a mulher dele, o enteado e um cunhado. Na casa, a perícia encontrou vestígios de sangue.

"Estão falando que o sumiço deles tem a ver com agiotas, a quem minha madrasta estaria devendo. Isso é tudo mentira. Ele mandaram espalhar isso na favela para enganar a polícia", disse Y., que, assim como Leonardo, também abandonou o programa de proteção na primeira vez.

Cinco suspeitos presos
Cinco suspeitos de integrar a Liga da Justiça foram presos ontem, em Campo Grande e Sepetiba, na zona oeste do Rio. Eles foram denunciados por um motorista de van, que teria sido vítima de extorsão do grupo.

O motorista levou policiais da Delegacias de Homicídios da Zona Oeste (DH-Oeste) até os pontos onde os acusados fariam as cobranças, na Estrada do Monteiro e Largo do Correia. Os valores variavam entre R$ 35 e R$ 50. Com eles foram apreendidos cerca de R$ 500. Segundo o delegado Antônio Ricardo de Lima Nunes, os cinco vão responder por extorsão e formação de quadrilha.

O Dia
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