Sarney (dir.) recebeu Gilmar Mendes (esq.) no Senado |
A bancada do PT vai se reunir no início da noite desta quinta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tentar convencê-lo de que o melhor a ser feito para minimizar a crise do Senado é um afastamento do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP).
De acordo com o senador Paulo Paim (PT-RS), a idéia é levar ao presidente Lula a posição do partido. "A posição do PT é pelo afastamento e vamos levar isso ao presidente Lula", afirmou.
O partido se reuniu mais uma vez nesta manhã e, segundo o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a opinião da maioria é de que Sarney deve se licenciar. Na quarta-feira, o líder do PT no Senado, Aloízio Mercadante (SP), havia descartado o afastamento temporário do presidente da Casa.
"Como houve uma fala de que o PT voltou atrás nós nos reunimos e reiteramos que a maioria da bancada quer o afastamento de Sarney para garantir credibilidade às investigações. O Senado precisa retomar a tranquilidade", disse.
Apesar de Mercadante ressaltar que a crise não é do Sarney e sim do Senado como um todo, ele admite que, na visão do partido, o melhor a se fazer no momento seria o presidente se licenciar temporariamente do cargo.
"O afastamento é a nossa recomendação, achávamos que seria o melhor para o Senado, criaria um ambiente mais propício para as profundas mudanças que nós precisamos atravessar", disse. O líder ressaltou mais uma vez que Sarney deixou claro que não está disposto a se afastar.
Mercadante ressaltou que há uma preocupação entre os senadores petistas com o impacto que a postura da bancada terá nas negociações entre PT e PMDB em torno das eleições de 2010. O PMDB tem a maior bancada no Senado, onde o governo possui uma maioria frágil. "Essa é uma das razões desse diálogo que nós queremos ter com o presidente Lula", disse o líder do PT.
Encontro adiado
O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) informou nesta quinta-feira que o encontro entre Lula e Sarney, previsto para acontecer hoje, só será realizado na sexta-feira. Segundo Calheiros, a situação já esta mais tranquila e não existe tanta urgência em torno do assunto. "Esta crise serviu para aproximar PT e PMDB", disse.
Sarney anunciou na quarta-feira que aguardaria uma oportunidade para falar com Lula - que estava em viagem ao exterior - para decidir sobre seu afastamento. Segundo o senador, nenhuma decisão seria tomada sem consultar o presidente.
Sarney é acusado de nepotismo e de envolvimento em irregularidades, incluindo o escândalo dos atos secretos do Senado, que foram utilizados para contratar servidores, autorizar a nomeação de parentes de senadores e o pagamento de horas extras.
Além disso, o neto dele, José Adriano Cordeiro Sarney, é acusado de fazer parte de um esquema irregular de crédito consignado pelo Senado e estaria sendo investigado pelo Polícia Federal.
DEM, PSDB e PDT já pediram publicamente o afastamento de Sarney. O presidente do Senado, no entanto, informou a Mercadante e à senadora Ideli Salvatti (PT-SC), líder do governo no Congresso, que definirá seu destino político depois de conversar com Lula.
O PR aprovou na tarde de ontem o apoio ao presidente do Senado, assim como seu partido, o PMDB, havia feito na terça. O presidente Lula vem defendendo publicamente a manutenção de Sarney no cargo.
Redação Terra