Temer e Jobim se somam a Calheiros na defesa de Sarney

02 de julho de 2009 • 00h02 • atualizado às 00h02

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), que na terça-feira não compareceu à Casa, presidiu nesta quarta-feira a sessão que prestou homenagem ao médico e deputado federal José Aristodemo Pinotti, morto na madrugada de quarta-feira aos 74 anos, vítima de câncer. Sarney deixou o prédio do Congresso Nacional ao encerrar a sessão.

Coube a alguns dos aliados mais próximos e correligionários de Sarney promoverem a defesa de sua permanência à frente da presidência do Senado. A governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), afirmou que seu pai é o "bode expiatório" da vez. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e Renan Calheiros (PMDB-AL) apoiaram o presidente do Senado.

"Essas denúncias não são de agora. Acredito que meu pai esteja sendo um bode expiatório. Acho que a crise é responsabilidade de todos os senadores", afirmou Roseana Sarney. Ela evitou, no entanto, comentar sobre o possível afastamento de Sarney. "Estamos do lado dele, acho que ele tem maturidade e experiência para decidir sobre isso. Ele é uma figura importante para o Senado e para o Brasil".

Já o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, afirmou não haver um "fato novo" que justifique o afastamento de Sarney. Já o ministro da Defesa disse que não se pode creditar os problemas a uma só pessoa.

"As soluções têm que visar ao interesse das instituições democráticas. Não adianta intervenção para isto, que é um problema antigo. Que se mude as regras, mas não se pode debitar os problemas apenas a um personagem, tendo em vista as eleições de 2010", afirmou Jobim, durante audiência na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

Outra solução
O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), argumentou que Sarney não poderia se afastar temporariamente do cargo sob risco de perder o poder definitivamente. Segundo Temer, a contratação de parentes por parte de Sarney é insuficiente para desmoralizá-lo politicamente. O deputado afirmou que Sarney precisa pensar em outra solução, mas rejeitar a opção de saída temporária do comando do Senado.

"Ele tem de enfrentar e superar essa situação no cargo", afirmou o deputado peemedebista, após o velório de José Aristodemo Pinotti. "Não há como afastar-se temporariamente. Quem se afasta temporariamente perde o poder em definitivo".

Temer voltou a dizer que Sarney está fazendo o "possível e o impossível" para moralizar o Senado e ressaltou que não teria sido o próprio Sarney quem empregou os parentes em setores da Casa.

"Os parentes foram contratados por colegas seus, por gente ligada a ele", disse. "Não creio que este seja um fator determinante para desmerecer a figura do presidente Sarney".

Redação Terra
 
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