PF lança software para retratos falados de alta resolução

30 de junho de 2009 • 10h14 • atualizado às 13h58

Marina Mello

Direto de Brasília


A Polícia Federal (PF) lançou nesta terça-feira uma ferramenta que promete revolucionar a projeção de retratos falados no País. O programa Horus possui um banco de imagens tão vasto e com tantas possibilidades de detalhamento que o retrato falado, ao invés de ser um simples rosto em preto branco, passa a ser uma fotografia com semelhanças incríveis ao rosto do criminoso ou do desaparecido que se tenta encontrar.

Para montar o programa, a PF criou um banco de dados com cerca de 4 mil imagens cadastradas colhidas a partir de características do povo brasileiro, portanto, levando em conta a alta diversidade racial do país.

Para se ter uma idéia, apenas de formatos de rostos são 29 mil páginas com aproximadamente 350 tipos de rostos para a pessoa que vai fazer a descrição do criminoso para o agente policial escolher.

O papiloscopista da PF, Carlos Eduardo Moreira da Silva, explica que se trata de um trabalho minucioso que pode levar até seis horas e que, além de profissionais treinados para realizar esse tipo de trabalho, o sucesso da descrição do retrato vai depender também da capacidade de descrição da vítima, ou pessoa que vai descrever o rosto que se procura. ¿A dificuldade do trabalho é essa: a capacidade de descrição da vítima e a nossa capacidade de interpretação. E às vezes é difícil pra vítima lembrar¿, afirma.

De acordo com o policial, o primeiro passo antes de começar o processo de descrição, é fazer com que a pessoa se lembre do momento do crime, de tudo o que aconteceu para depois pensar em como era a fisionomia do criminoso. ¿No processo de entrevista, a gente tenta reinserir a testemunha no evento, então ela conta toda a história para que a gente consiga avivar essas imagens¿, explica.

Depois desta fase, o primeiro passo do processo de descrição é a escolha da peça do formato do rosto do criminoso. São colocados na frente da vítima cerca de 300 tipos de rosto, sem olhos, nariz ou boca. Só depois da escolha do formato, é que se insere o resto. As imagens dos rostos sem nenhuma característica são um pouco assustadoras e por esta razão, o policial diz que sempre alerta as vítimas antes de começar a descrição.

Depois do rosto, a vítima passa pelo mesmo processo de escolha dos olhos, do nariz e da boca, sempre contando com cerca de 350 imagens de cada para selecionar. Escolhidas as peças, o agente policial com o auxílio da vítima, passa então para um processo de equalização.

O policial afirma que a vítima pode alterar a imagem a qualquer momento se achar que não está ficando parecida com a do bandido. ¿Se ela acha que o nariz não ficou bom, ou que o rosto tem outro formato, a gente volta e vai alterando tudo com ela¿, explica.

No processo de equalização, o agente policial primeiro vai uniformizar a cor da pele e depois adicionar detalhes como barba, cabelo, pintas e manchas. Depois, ainda é possível se alargar a face ou estreitá-la se for necessário, até que a vítima considere que a imagem está semelhante.

¿O objetivo do retrato falado não é uma reprodução fiel daquele suspeito e sim reduzir o universo de suspeitos que o agente de polícia vai ter que procurar. O que a gente busca é uma redução do universo suspeito¿, explica ele.

O programa
A ferramenta utilizada no programa Horus foi desenvolvida pelo Instituto Nacional de Identificação da PF e é considerada uma referência mundial em tecnologias para esse tipo de trabalho, já que a maioria dos países ainda utiliza o retrato falado em preto e branco de baixa resolução.

Em seu lançamento nesta terça-feira, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Correa, falou da satisfação em ver a instituição como uma "referência mundial de segurança". "Nessas horas é que a gente sente orgulho de poder ser referência mundial numa área tão relevante quanto a de segurança pública", comemorou.

O programa também é considerado eficaz para o trabalho de busca de pessoas e crianças desaparecidas, principalmente pela possibilidade de projetar como estaria o rosto de uma criança desaparecida há anos.

Com o sistema, é possível reproduzir, por exemplo, as alterações na fisionomia de uma criança que desapareceu aos 5 anos, mesmo após oito anos do seu desaparecimento. Para isso, são usadas fotos da mãe e do pai da criança, de quando eles tinham a mesma idade que o filho teria no momento da elaboração do retrato.

De acordo com a PF, a idéia é que o programa seja utilizado em breve pelas polícias civis do País que trabalham muito com a busca de criminosos via retrato falado. Para isso, a PF terá que fechar convênios para que a ferramenta possa ser utilizada e também para que os profissionais sejam treinados a utilizá-la.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »