Arnoldo Santos
Direto de Manaus
Depois de ter batido, na semana passada, o recorde histórico do ano de 1953, quando foi registrado o nível de 29,69 m, o rio Negro não pára de subir e já está 6 cm acima da marca de 56 anos atrás. O nível chegou, na manhã desta segunda-feira, a 29,75 m. A água já tomou boa parte do porto da cidade.
Funcionários da área de engenharia avaliam todos os dias as condições do porto flutuante que tem mais de 100 anos. "Por enquanto está tudo normal, mas precisamos acompanhar diariamente o acontece na estrutura do porto flutuante", disse o engenheiro responsável pelo setor de hidrologia, Valderino Pereira da Silva.
Na capital, a Defesa Civil do município elevou de 36 para 357 o número de famílias cadastradas para remoção dos locais alagados. Onze bairros de Manaus foram atingidos pela enchente, somando um total de 16.627 pessoas afetadas. As famílias são levadas para três escolas municipais. De acordo com a Defesa Civil, além do atendimento às famílias que tiveram casas alagadas, distribuição de cestas básicas e atendimento médico, foram construídos 10,3 km de pontes de madeira na cidade.
No bairro Betânia, zona sul de Manaus, pelo menos 11 famílias perderam praticamente tudo. O beco Ypiranga, um aglomerado de casas de madeira construídas em cima do leito do igarapé do Franco, foi totalmente inundado. As famílias que não saíram de casa tiveram de levantar o assoalho das construções com madeira.
"Eu moro aqui há oito anos e a água nunca chegado a este nível. Por isso tive de sair de casa", disse a dona de casa Érica Farias. No bairro da Glória, zona oeste, a Secretaria Municipal de Obras começou a reconstruir as pontes que tinha sido danificadas no início do mês de maio, quando a enchente tomou proporções maiores. "Nós vamos ter de reconstruir várias pontes e passarelas que já tinham sido construídas no início da cheia porque elas também já estão submersas", informou Gisele Vaz, a assessora de comunicação da Defesa Civil municipal.
Especial para Terra