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Cheia no AM: rio Negro atinge maior nível desde 1953

24 de junho de 2009 08h43 atualizado às 15h04

Moradores e turistas aproveitam a cheia do rio Negro, na praia da Ponta Negra, em Manaus. Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

Moradores e turistas aproveitam a cheia do rio Negro, na praia da Ponta Negra, em Manaus
Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

Arnoldo Santos

Direto de Manaus


O rio Negro atingiu nesta quarta-feira a cota de 29,69 m, se igualando ao nível atingido em 1953, quando foi registrada a maior cheia da história do Amazonas.

Com a subida do rio, várias ruas do centro de Manaus foram inundadas. A avenida Eduardo Ribeiro, a principal da região central, foi interditada ontem pelo Instituto Municipal de Transporte e Trânsito (IMTT) por ter sido tomada pela água do rio Negro que inundou as galerias subterrâneas do centro. Outras ruas do centro histórico, como a rua dos Barés e Barão de São Domingos, também estão inundadas.

A enchente na capital do Estado pode piorar nos próximos dias. "É possível que esta cota seja ultrapassada considerando que o rio ainda esteja subindo entre 1 e 2 cm", disse o chefe do serviço hidrológico do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva.

Na capital, as principais ações de emergência foram a distribuição de madeira e a construção de pontes. A maioria das pessoas não quis sair de casa, mesmo com a alagação. Em dois abrigos instalados pela prefeitura de Manaus, 21 famílias foram instaladas.

Em todo o Estado, 63 mil famílias receberam o cartão SOS Enchente que dá direito a R$ 300. O governo do Estado já gastou R$ 120 milhões em 51 municípios atingidos pela cheia, principalmente com a compra de combustível, distribuição de cestas básicas e remédios, além de compra de madeira.

Famílias permanecem nas casas
Na zona sul da capital, o pedreiro Aldenílson Rodrigues reúne pedaços de madeira para subir o piso da casa onde vive com mais três filhos. "De dia é o calor, quando chega a noite são as carapanãs (mosquitos) que atacam. E o fedor é cruel", diz Aldenílson, mostrando o buraco no assoalho da casa por onde a água do igarapé poluído está prestes a invadir.

Em todas as casas invadidas pela água onde as famílias decidiram permanecer, a madeira recebida de doações serviu para a construção das marombas, o piso reforçado que fica a poucos centímetros da água que passa embaixo das construções. Quando a casa está muito perto da água, as marombas chegam a diminuir em mais da metade a altura do teto.

Na casa da dona-de-casa Eloísa Pereria moram nove pessoas. O assoalho foi levantado duas vezes e a altura do teto não ultrapassa 1,5 m. As pessoas adultas têm de andar praticamente agachadas pela casa. "Eu tenho um filho de 1,75 m de altura. Imagina o nosso dia-a-dia vivendo nesta altura do teto", reclama a dona-de-casa.

Em locais onde a água subiu muito, comunidades inteiras saíram de casa. No beco Ypiranga, na zona sul, a dona-de-casa Érika Marques mostra a casa dela tomada pela água. "Muitos moradores deixaram suas casas. Não houve como agüentar tanta sujeira e o fedor. Eu moro aqui há oito anos e nunca vi uma enchente como essa", diz Érika.

Especial para Terra

Os internautas Rafael R. Soares e Cristiano Melo, de Manaus (AM), e Jefferson Rondolfo, de Cotia (SP), participaram do vc repórter, canal de jornalismo participativo do Terra. Se você também quiser mandar fotos, textos ou vídeos, clique aqui.

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  1. Moradores e turistas aproveitam a cheia do rio Negro, na praia da Ponta Negra, em Manaus  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    Moradores e turistas aproveitam a cheia do rio Negro, na praia da Ponta Negra, em Manaus

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  2. A cheia do rio Negro alterou a paisagem próxima ao Hotel Tropical, localizado a 16 km do centro de Manaus  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    A cheia do rio Negro alterou a paisagem próxima ao Hotel Tropical, localizado a 16 km do centro de Manaus

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  3. O rio Negro atingiu a marca de 29,65 m, segunda maior cheia da história. Em 1953, o nível chegou a 29,69 m  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    O rio Negro atingiu a marca de 29,65 m, segunda maior cheia da história. Em 1953, o nível chegou a 29,69 m

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  4. A cheia também atingiu a população que vive às margens do rio  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    A cheia também atingiu a população que vive às margens do rio

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  5. Caminhão tem dificuldade em transitar pelas ruas de um bairro residencial  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    Caminhão tem dificuldade em transitar pelas ruas de um bairro residencial

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  6. Canoas são usadas como meio de transporte pelos moradores  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    Canoas são usadas como meio de transporte pelos moradores

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  7. O aumento do nível do rio obrigou pessoas a deixarem suas casas  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    O aumento do nível do rio obrigou pessoas a deixarem suas casas

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  8. A água também chegou na Feira da Manaus Moderna  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    A água também chegou na Feira da Manaus Moderna

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  9. Moradores que vivem às margens do rio foram obrigados a deixar suas casas devido à cheia  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    Moradores que vivem às margens do rio foram obrigados a deixar suas casas devido à cheia

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  10. Uma estrutura no Porto de Manaus indica quais foram as maiores cheias do rio Negro  Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

    Uma estrutura no Porto de Manaus indica quais foram as maiores cheias do rio Negro

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    Foto: Rafael R. Soares/vc repórter

  11. Na foto tirada em 2007, a praia da Ponta Negra apresenta uma paisagem muito diferente da atual  Foto: Jefferson Rondolfo/vc repórter

    Na foto tirada em 2007, a praia da Ponta Negra apresenta uma paisagem muito diferente da atual

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    Foto: Jefferson Rondolfo/vc repórter

  12. Em foto de 2005, com outra vista da praia fluvial de Ponta Negra, é possível ver a faixa de areia que existia no local  Foto: Cristiano Melo/vc repórter

    Em foto de 2005, com outra vista da praia fluvial de Ponta Negra, é possível ver a faixa de areia que existia no local

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    Foto: Cristiano Melo/vc repórter

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