Roger Pereira
Direto de Curitiba
A Promotoria da 1ª Zona Eleitoral de Curitiba, no Paraná, abriu procedimento investigatório para apurar as denúncias de ilegalidades nas eleições municipais de Curitiba do ano passado, após denúncias divulgadas pela Rede Globo, informou o Ministério Público do Paraná nesta terça-feira. A emissora exibiu um vídeo em que dissidentes do PRTB aparecem assinando recibos em nome de terceiros e distribuindo dinheiro para os ex-candidatos do partido que desistiram de disputar a eleição e se desfiliaram da legenda para apoiar a reeleição do prefeito de Curitiba Beto Richa (PSDB).
"O MP-PR buscará verificar se houve emprego de recursos não contabilizados e eventuais crimes eleitorais", disse o promotor de Justiça Armando Antonio Sobreiro Neto, que informou que o MP-PR trabalha em parceria com o procurador regional eleitoral no Paraná, Néviton de Oliveira Batista Guedes, que acompanha a questão no âmbito do Ministério Público Federal.
Sem forças para emplacar uma CPI na Câmara de Vereadores de Curitiba, pois tem apenas cinco vereadores e necessita de 13 assinaturas para que o pedido de CPI seja protocolado, a oposição tentará uma mobilização popular para repercutir as denúncias. Lideranças do PT, PMDB, PSC, PCdoB, PMN e PRTB formaram, nesta terça-feira, um comitê de apuração das denúncias. A oposição pretende ir às ruas, na próxima sexta-feira, para colher assinaturas, que serão apresentadas à Câmara para pressionar os vereadores a apoiarem a criação da CPI. O grupo também estuda apresentar uma queixa-crime contra o prefeito.
"Queremos dar maior poder político a esse movimento. E a melhor forma é com o envolvimento da sociedade. A pressão popular pode chamar todos os vereadores para que cumpram seu papel constitucional de fiscalizador", disse a líder do PT na Câmara, vereadora Professora Josete.
Para a oposição, a informação de que a casa em que funcionou o Comitê Lealdade teria sido alugada em nome da campanha de Beto Richa derruba a defesa da equipe do prefeito de que o comitê era voluntário e independente, não recebendo recursos oficiais da campanha.
Durante a Escola de Governo, reunião semanal que realiza com seu secretariado e que é transmitida ao vivo pela Rádio e Televisão Educativa, o governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), sem citar nomes, cobrou punição aos envolvidos no caso.
"Não posso citar nomes pois sou impedido de chamar ladrão de ladrão, mas espero que os responsáveis por esse crime sejam punidos com perda de mandato e cadeia", declarou o governador, que é impedido judicialmente de usar a TV estatal do Estado para atacar adversários ou instituições.
Redação Terra