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 Skatistas fazem manifestação por Praça 15 no Rio
22 de junho de 2009 03h09 atualizado às 03h10

Para comemorar e, ao mesmo tempo, conquistar espaço na sociedade, cerca de 150 skatistas lembraram nesse domingo o Dia Mundial do Skate com um protesto que começou no Aterro do Flamengo e Terminou na Praça 15 no fim da tarde. Templo do skate no Rio de Janeiro, a Praça, segundo a Guarda Municipal, é patrimônio público - e a prática do esporte no local o depreda, além de incomodar os pedestres que transitam diariamente pelo local.

Os organizadores do protesto realizado ontem afirmam que os skatistas utilizam a praça apenas à noite, fora do horário de pico, e aos finais de semana, quando o movimento é quase inexistente.

"A gente faz uma apropriação do espaço fora dos horários de pico. Além disso, a nossa presença afasta os marginais que andam por ali. A praça é um lugar central que atende aos skatistas que moram em todas as regiões da cidade e até em outros municípios", explica o arquiteto e skatista Raphael Buarque.

Na administração anterior, a prefeitura criou o parque do skate no Aterro do Flamengo para os praticantes do esporte. Mas de acordo com os skatistas, o local não atende às necessidades para a prática do esporte. Eles alegam que o mobiliário urbano criado especialmente para a prática do skate pode ser pensado não só para atender aos esportistas mas também ao restante da população.

"Para se ter uma ideia, já existe engenharia para rota de skate e que é pensada para atender também à população. As muretas, os bancos e os corrimãos, se fossem implantados na Praça 15, por exemplo, poderiam ser utilizados por nós e pelas pessoas, já que não usamos a praça em horários de movimento", explica Raphael Buarque.

Discriminação
Os rapazes do skate também reclamam da forma como são vistos pelas pessoas. Eles afirmam que muitos acreditam que todo skatista sofre do que a psicologia chama de "Síndorme de Peter Pan" - atribuída a pessoas que se recusam a reconhecer que chegaram à idade adulta e se comportam de forma infantil.

"O skate além de marginalizado é também infantilizado. Grande parte da sociedade acredita que o skatista sofre da Síndrome de Peter Pan. E isso não é verdade", defende Fabrício.

O atual bicampeão mundial da categoria skate vertical, Sandro Dias, mais conhecido como Mineirinho, confirma que o skate é, de fato, marginalizado. O skatista esteve na Praça 15 para dar apoio à manifestação.

"Ainda é um esporte muito mal falado, não só no Brasil como no mundo inteiro. É muito difícil mudar a cabeça da sociedade", lamenta Sandro. Em determinado momento da manifestação, a Guarda Municipal se aproximou dos manifestantes e pediu que eles não andassem de skate no local", o que foi obedecido.

Segundo o guarda Jefferson, que reuniu os rapazes para dar orientações, a ordem da prefeitura é de coibir a prática do esporte. "Nós temos que zelar pela integridade física deles e também pelo patrimônio público. Eles podem se machucar aqui com essas manobras", disse o agente, que, no entanto, afirmou nada ter contra os skatistas da Praça 15.

Jornal do Brasil
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