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Collor: teria feito tudo que Lula fez, só estilo é diferente

17 de junho de 2009 17h07 atualizado às 19h40

Collor concede entrevista em Brasília. Foto: Reuters

Collor concede entrevista em Brasília
Foto: Reuters

Adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de 1989, o senador Fernando Collor de Mello afirmou que faria "tudo" o que fez o petista se não tivesse sido afastado do cargo. Hoje no PTB - partido aliado ao governo -, o primeiro chefe de Estado a sofrer impeachment na América Latina recuperou parte do seu capital político perdido em 1992, quando deixou o governo sob acusações de crime de responsabilidade.

"Tudo o que o presidente vem fazendo, e por isso eu apoio seu governo, eu faria. A diferença é apenas na questão de como fazer, no estilo", contou ele nesta quarta-feira. Eleito pelo Estado de Alagoas em 2006, ele foi absolvido de todos os crimes no Supremo Tribunal Federal.

Presidente da Comissão de Infraestrutura e um dos membros da CPI da Petrobras, Collor deixa uma porta aberta quando responde sobre as chances de um dia concorrer à presidência do Senado, instituição que o jogou no exílio político no passado e que agora é protagonista em diversos escândalos de corrupção. "A presidência do Senado está distante para mim hoje como estava a Comissão de Infraestrutura meses atrás", afirmou.

No Senado, Collor dá a Lula o apoio que não teve de integrantes do PT no passado. No comando de uma das principais comissões permanentes da Casa, terá influência na prometida votação do marco regulatório do pré-sal, crucial para o Executivo. "Não tenho dúvida que o marco regulatório será aprovado no Congresso este ano", previu.

Erro
Collor reconheceu que dedicou apenas 10% de seu tempo à relação entre o governo e os partidos com representação no Congresso. Um erro, admite ele, que o diferenciou do atual presidente, "90%" do tempo dedicado à política.

Em 2005, a gestão Lula foi alvo do chamado escândalo do mensalão, um suposto esquema de pagamentos a parlamentares para que aprovassem propostas do governo. Apesar do desgaste gerado pelas denúncias, o presidente não foi formalmente envolvido no processo, a que respondem 39 pessoas no Supremo Tribunal Federal (STF).

"O que me faltou à época foi essa base parlamentar", disse o ex-presidente. Enquanto Collor iniciou seu mandato com o apoio formal de pouco mais de 8% dos deputados, Lula construiu rapidamente uma confortável maioria e ainda exibe uma base de sustentação na Câmara, Casa que autoriza eventuais julgamentos de impeachment.

Número de azar
Primeiro presidente eleito pelo voto direto após o regime militar, amparado na bandeira eleitoral do combate à corrupção, Collor promoveu a abertura do mercado nacional às importações e iniciou o programa de desestatização.

Ao assumir a Presidência, o País registrava hiperinflação, em níveis de 80% ao mês. Collor congelou preços e salários e, por meio da Medida Provisória 168, confiscou depósitos bancários e investimentos por um período de 18 meses, num ato que viria ao longo do tempo desidratar seu frágil apoio parlamentar.

Ele renunciou ao cargo na tentativa de evitar o processo de impeachment, mas não obteve sucesso. Hoje, de volta ao jogo político e com liberdade para voltar à concorrer à Presidência, ele diz ser "impossível" saber se recuperou a confiança do povo brasileiro.

"Para isso eu teria de concorrer (à Presidência) de novo", disse. Como ex-presidente, ele tem direito a dois assessores especiais e quatro seguranças do Exército, além da estrutura que o Senado oferece.

Reuters
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