Minc diz estar firme no cargo: tremei poluidores

04 de junho de 2009 • 18h22 • atualizado às 19h05

Keila Santana

Direto de Brasília


O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, disse nesta quinta-feira que não sairá do cargo, apesar das divergências com outros ministros e com os representantes dos grandes produtores rurais. "Estou firme, firmíssimo. Tremei poluidores", declarou. "Vamos combater os crimes ambientais, criar novas unidades de conservação e defender a legislação ambiental brasileira."

Na semana passada, em um evento com cerca de quatro mil pequenos agricultores, Minc chamou os ruralistas de "vigaristas". Por causa dessa declaração, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura, pediu sua saída do Ministério do Meio Ambiente. Ela também denunciou o ministro perante a Comissão de Ética da Presidência, pedindo que ele responda por crime de responsabilidade.

Minc negou que tenha levado um "puxão de orelha" do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelas críticas públicas ao setor ruralista e aos ministros dos Transportes, Alfredo Nascimento, e da Agricultura, Reinholds Stephanes.

"Ele não me deu bronca nenhuma. O presidente Lula manifestou que as contradições internas sejam tratadas dentro dos ministérios e arbitradas por ele, eu concordei", disse.

O ministro do Meio Ambiente admitiu que a situação de conflito ainda não acabou, mas acredita que está avançando para um acordo. Carlos Minc participou de uma reunião com o presidente Lula e representantes do Movimento Amazônia para Sempre, que coletou mais de 1 milhão de assinaturas em defesa da preservação da floresta.

Os atores Christiane Torloni e Victor Fasano entregaram uma carta ao presidente e ouviram de Luiz Inácio Lula da Silva o reforço ao compromisso com as metas de desmatamento zero até 2015 e responsabilidade da União sobre o Código Florestal.

Christiane e Fasano saíram em defesa do ministro Carlos Minc. Segundo ela, o governo sofreu uma perda com a saída da ex-ministra Marina Silva e não poderia abrir mão de outro ministro do Meio Ambiente.

"É muito complicado perder um segundo ministro no mesmo governo. A democracia não aguenta um golpe na própria democracia, como foi com a ministra Marina Silva", diz Torloni.

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