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Arte nazista constrange participantes de festa no Rio

24 de maio de 2009 04h39

Obras de arte do nazismo e um desenho na piscina que lembrava um conjunto de suásticas causaram constrangimento em uma festa da empresa alemã de material esportivo Adidas que reuniu o hype carioca na sexta-feira na Gávea.

Entre os 400 convidados estavam o poeta Michel Melamed, o escritor João Paulo Cuenca e a atriz Talma de Freitas - que deixaram a festa -, além do ator Gabriel Braga Nunes e do diretor de televisão Jorge do Espírito Santo.

A casa, onde foi filmado Meu Nome Não é Johnny, pertence ao presidente da Associação de Moradores do Alto Gávea (Amab), Luiz Fernando Penna. Ele negou que o desenho na piscina se tratasse de uma sequência de suásticas e confirmou ter quadros do nazismo, assim como de outros regimes totalitários por ser colecionador, sem simpatizar com "nenhum deles".

Embaraço
Segundo Michel Melamed, "muita gente percebeu o símbolo na piscina", mas ainda ficou em dúvida. "Mas a Talma tinha deixado a bolsa dela em um dos quartos, onde encontramos um pintura de um oficial nazista. Depois, achamos um poster da Marinha nazista no bar", disse.

"Isso é proibido no Brasil. É um caso para ser investigado, porque a suástica é uma coisa ofensiva", afirmou.

A lei 7.716 prevê de 2 a 5 anos de prisão para quem fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propagandas que utilizem a cruz suástica, ou gamada, para divulgação do nazismo.

O presidente da Amab respondeu que não se encaixa em nenhuma dessas definições. Segundo ele, o desenho na piscina é uma sequência grega, que percorre toda a borda, "uma coisa só; que tem até no parthenon".

Quanto aos quadros nazistas, Luiz Fernando Penna afirmou que coleciona obras de referência de diversos períodos históricos, "por sua raridade".

"Tenho um quadro do almirante Lutjens e uma águia da marinha nazista, assim como um poster de bronze da União Soviética, que matou ainda mais gente. Faço tanta apologia quanto um museu e, inclusive, volta e meia recebo judeus na minha casa.

Para o escritor João Paulo Cuenca, que deixou a festa por "não conseguir dançar ao lado de memorabilia nazista" e disse não ter visto o poster soviético, deixar os quadros expostos na festa acaba sendo "uma forma de divulgá-los".

Um dos convidados judeus citados por Penna, o engenheiro Sérgio Niskier, ex-presidente da Federação Israelita do Rio de Janeiro (Fierj), confirmou que esteve duas vezes na casa de Penna, embora não tenha visto os quadros nazistas. "Sei que o Penna é colecionador e ele nunca teve nenhum preconceito comigo; se tivesse, não faria parte das minhas relações", disse.

A atual presidente da Fierj, Lea Losinky, disse que não havia visto as fotos por não abrir o computador no shabat (fim de semana religioso judaico), mas afirmou que acionaria o departamento jurídico para checar se o caso poderia ser apologia. "Não podemos pré-julgar, mas temos que estar vigilantes", afirmou.

A Adidas respondeu, por sua assessoria, que não sabia de adereços com motivos nazistas na casa e, se soubesse, mandaria retirá-los ou mudaria o local da festa.

Jornal do Brasil
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