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 Ameaçado de impeachment, vice do RS defende contrato
21 de maio de 2009 17h54 atualizado às 17h59

O deputado estadual Coffy Rodrigues (PSDB) acusou o vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó (DEM), de irregularidades na assinatura de um contrato e ameaçou entrar com um pedido de impeachment. Uma das empresas de Feijó, a A. Paulo Feijó Participações (APF) assinou um contrato com a Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), para prestar serviços de consultoria. Para Rodrigues, o vice-governador não poderia assinar contrato com uma empresa que recebe recursos públicos, porque isso é considerado improbidade administrativa.

"Paulo Feijó, desde o início deste governo, trabalha escondido no mercado privado. Utiliza o prestígio de seu cargo para intermediar interesse de terceiros, sendo muito bem remunerado para isso. Só neste contrato com a Ulbra recebia R$ 20 mil por mês e mais 3% de tudo o que vendesse, no caso os hospitais", destacou Coffy.

Feijó, que rompeu com a governadora Yeda Crusius (PSDB) e freqüentemente acusa o governo tucano de irregularidades, afirmou em nota que o contrato não é ilegal e foi assinado quando ele não era vice-governador. "A APF nunca atuou para empresas de governo municipal, estadual ou federal e tampouco para qualquer estatal. O contrato com a ULBRA é um contrato padrão utilizado por empresas que atuam em fusões e aquisições. Qualquer exame jurídico do contrato evidencia sua absoluta legalidade", diz a nota.

Ele alegou ter buscado um grupo que se interessasse na aquisição dos hospitais da universidade, tendo em vista as dificuldades financeiras que a instituição atravessa. Entretanto, o contrato com AFP foi rescindido em comum acordo. O deputado Coffy afirmou que, apesar da Ulbra não ser pública, "o governo do Estado vem se empenhando para viabilizar recursos para os hospitais (da instituição)".

O deputado tucano aguarda um aparecer jurídico para dar prosseguimento, dentro da Assembléia Legislativa, ao pedido de impeachment. "A lei de improbidade administrativa não permite que um vice-governador trabalhe de subordinado e seja remunerado por empresas que têm interesses comuns com o Estado e muito menos receber por isso", finalizou.

A APF Participações iniciou suas atividades em 1933, pelo avô do vice-governador, Afonso Paulo Feijó. A empresa é uma holding que detém participações em empresas que atuam em diversos ramos de atividades como a área atacadista e de distribuição, varejo e supermercados, importação e exportação, agropecuária, TI, saúde e fitness.

Redação Terra