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Mãe nega que servidor do Senado trabalhe em loja no RS

21 de maio de 2009 17h53 atualizado às 18h28

Guilherme Mergen

Direto de Porto Alegre


Mãe do servidor concursado no Senado que cumpriria expediente diário na loja de móveis da família em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, a administradora do empreendimento, Márcia Dreivik, nega as denúncias de que o filho seja um "funcionário fantasma" do Congresso. Segundo ela, os funcionários da loja "se confundiram" ao dizer à publicação que Renato Friedmann trabalha diariamenteno local. "Quando ele vem para cá, cerca de duas vezes por mês, sempre vai até a loja e me ajuda. Por isso, eles confundiram", disse.

Conforme a Folha de São Paulo, o consultor legislativo deveria dar expediente no gabinete da liderança do PMDB desde dezembro do ano passado. Contudo, mesmo com o salário de R$ 15 mil - em abril, ele inclusive recebeu R$ 2 mil em horas extras -, os funcionários da loja afirmaram, durante contato diário por duas semanas, que Friedmann comparecia ao estabelecimento todos os dias e inclusive seria o responsável por administrá-lo.

Sem dar muitos detalhes, Márcia disse ao Terra nesta quinta-feira, durante entrevista na loja onde Renato trabalharia, que o filho está sendo vítima de uma "situação forjada". "É um episódio litigioso, uma maneira de atingir algumas pessoas por meio do Renato", afirmou. Questionada sobre quem seriam as pessoas responsáveis pelo que chama de "ocasião criada", ela não soube responder. "Você sabe como são as coisas lá", disse.

O consultor legislativo trabalha em Brasília há cerca de cinco anos, após ser aprovado em um concurso público. Contudo, segundo a mãe, Friedmann não comparece diariamente ao Senado. "Eu não sei ele vai todos os dias no Senado, porque ele trabalha em casa", afirmou.

Questionada sobre o risco de o filho ser alvo de um processo administrativo caso as denúncias sejam confirmadas, Márcia disse não ter medo. De acordo com ela, seu maior receio é a exposição da loja. "Isso pode prejudicar o nosso estabelecimento, que ainda está no nome do meu marido, que morreu há dois anos. Estamos fazendo o inventário neste momento", disse.

Na tarde desta quinta-feira, por meio de sua mãe, o Terra tentou conversar com o servidor. No entanto, ele não havia retornado até as 17h. Ele estaria em uma reunião na capital federal.

O que diz a lei
A lei 8.112/1990, que trata do regime jurídico dos servidores, proíbe funcionários públicos de participar de gerência ou administração de sociedade privada e de exercer o comércio, exceto na qualidade de acionista, cotista ou comanditário. Além disso, uma decisão da mesa diretora de março de 1997 determina que servidor efetivo do Senado, lotado no gabinete da Casa, deve cumprir exercício somente em Brasília. Apenas funcionários comissionados, sem concurso, podem atuar fora da capital federal.

Especial para Terra