Tarso participou de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos |
Marina Mello
Direto de Brasília
O ministro da Justiça, Tarso Genro, voltou a defender nesta terça-feira o asilo político dado por ele ao ex-ativista italiano Cesare Battisti e disse que as críticas do governo italiano ao benefício concedido são uma tentativa de desqualificar as leis brasileiras. Diante da pressão italiana, ele voltou a assegurar que o Brasil não vai voltar atrás em sua decisão de conceder o asilo porque, na visão dele, isso seria compactuar com o desejo italiano de transformá-lo num "bode expiatório".
O ministro voltou a ressaltar que, como Battisti é um criminoso político, nada mais justo que se cumpra o que prevê a lei pra esse tipo de situação, que é a concessão do asilo político. Ele foi condenado na Itália à prisão perpétua por quatro homicídios.
Na visão de Tarso, o governo italiano queria dar a Battisti uma punição mais severa do que está previsto na lei para criminosos políticos. "O Brasil não vai se servir para entregar alguém que vai ser bode expiatório dos anos de chumbo na Itália. Que respeitem a nossa decisão e que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgue na linha que vem fazendo, o que significa manter a decisão do ministério", disse ele ao comentar o julgamento do caso na Corte.
A Suprema Corte dará a palavra final sobre a permanência ou não do ex-militante no Brasil. Em entrevista a uma emissora de TV estrangeira, Battisti declarou que, caso a decisão do STF seja para que ele retorne à Itália, ele prefere se matar.
O ministro, que participa de audiência pública nesta terça-feira na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, defendeu a atuação de Battisti, dizendo que ele nunca matou nem feriu ninguém, apesar de ser militante de esquerda e guerrilheiro.
Tarso, que se intitulou como um "ministro de esquerda", lembrou que ele próprio e tantos outros políticos brasileiros foram considerados criminosos políticos. O ministro disse que, se na época em que foi preso tivesse sido submetido à tortura, não teria suportado.
"Quantos de nós aqui nesta sala não fomos criminosos políticos? E a maioria de nós tem orgulho disso. Eu fui criminoso político, respondi a dois processos militares", afirmou. "Se eu fosse torturado, falaria. A gente não sabe qual a capacidade de resistência que temos."
Redação Terra