Marina Mello
Direto de Brasília
O ministro da Justiça, Tarso Genro, afirmou nesta terça-feira entender que a sua pasta não deve entrar nas investigações sobre denúncias do suposto uso de caixa dois na campanha de Yeda Crusius (PSDB) ao governo do Rio Grande do Sul. "O Ministério da Justiça não deve se envolver, até porque na origem desse conflito também tem o trabalho da Polícia Federal, isento e técnico", afirmou.
A edição desta semana da revista Veja traz uma reportagem com denúncias afirmando que gravações comprovariam o uso de caixa 2 na campanha eleitoral de 2006. "O trabalho foi feito. Foi para o Ministério Público, está no Poder Judiciário. É essa autoridade que decide divulgação de informações ou não que constam do processo", disse o ministro.
Tarso disse também esperar que seu partido, o PT, volte ao poder no Rio Grande do Sul, mas não por conta das denúncias que atingem a atual governadora do Estado, Yeda Crusius (PSDB).
"Espero que a volta do PT (ao governo do RS) não se dê por isso", disse Tarso, que já se lançou como candidato a governador do Estado. Ele evitou comentar a tentativa do PT gaúcho de criar uma nova CPI no Estado para apurar as denúncias.
Denúncia
Segundo Veja, o marido da governadora, Carlos Crusius, recebeu R$ 400 mil em espécie de duas fabricantes de fumo para caixa dois de sua campanha. Gravações divulgadas pela revista mostram conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst. O áudio comprovaria o uso de caixa dois na campanha.
Segundo a revista, Cavalcante ainda afirmou que a governadora sabia do suposto esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O ex-assessor diz, na gravação, que entregou uma carta de oito páginas na qual o empresário Lair Ferst descreveria como funcionava o esquema que desviaria recursos. A carta foi entregue para que Ferst tentasse se livrar da suspeita de participação no esquema.
Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran.
Após a divulgação do teor da reportagem, Yeda convocou uma entrevista coletiva no último sábado e negou as acusações. Segundo ela, as denúncias são requentadas. Carlos Crusius também negou ter recebido dinheiro para a campanha de forma ilegal. Deputados da oposição tentam instalar uma CPI na Assembléia Legislativa gaúcha.
- Redação Terra


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