A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius, tem marcada para esta terça-feira uma viagem a Brasília. Segundo um interlocutor da governadora, Yeda tentará buscar apoio na cúpula nacional do PSDB e de parlamentares da bancada gaúcha para evitar uma CPI na Assembléia Legislativa do Estado, que investigaria denúncias de caixa dois na campanha para o governo do Estado em 2006. As informações são do jornal Zero Hora.
Gravações divulgadas pela revista Veja desta semana mostram conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado. Segundo o ex-assessor, as empresas fabricantes de cigarro Alliance One e CTA Continental doaram, cada uma, R$ 200 mil em espécie, que foram entregues a Carlos Crusius, marido de Yeda. Yeda e Crusius negam o recebimento.
Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação em um suposto esquema de desvio de dinheiro do Detran do Rio Grande do Sul.
Segundo a Zero Hora, a estratégia de Yeda é fazer uma "peregrinação" política e jurídica para demonstrar lisura em suas contas da campanha eleitoral de 2006, além de tentar retirar a credibilidade dos acusadores.
A governadora tentaria demonstrar que as denúncias apresentadas são "requentadas" e não há provas. De acordo com o jornal, o governo do Estado ainda tenta marcar uma audiência com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.
CPI
Segundo o jornal, pelo menos 17 deputados tendem a apoiar um requerimento que prevê a instalação de uma CPI na Assembléia. Na tarde desta terça-feira, os deputados do PT devem começar a recolher as 19 assinaturas necessárias.
Defesa
No sábado, em entrevista, Yeda negou a existência de caixa dois e também que o marido tenha recebido o dinheiro das empresas. A Alliance One afirmou que a doação de R$ 200 mil foi legal. A CTA Continental disse que não doou dinheiro para a campanha da governadora.
Gravações
Segundo a revista, Cavalcante ainda afirmou que a governadora sabia do suposto esquema de corrupção no Departamento Estadual de Trânsito (Detran). O ex-assessor diz, na gravação, que entregou uma carta de oito páginas na qual o empresário Lair Ferst descreveria como funcionava o esquema que desviaria recursos. A carta foi entregue para que Ferst tentasse se livrar da suspeita de participação no esquema.
Cavalcante morreu em fevereiro em Brasília. Seu corpo foi encontrado no lago Paranoá e a polícia trabalha com a hipótese de suicídio. O ex-assessor era investigado como suspeito de participação no suposto esquema do Detran.
A Veja afirmou que teve acesso ao áudio há 40 dias, mas divulgou o conteúdo apenas após Magda reconhecer o conteúdo como verdadeiro. Segundo a revista, a ex-companheira de Cavalcante afirmou que o ex-assessor reconhecia o conteúdo da gravação e que ele já havia relatado os fatos para a mulher.
Segundo Magda, Ferst afirmou que entregaria as gravações às autoridades para provar que o esquema do Detran era mantido por integrantes do governo Yeda, e não por ele. Magda disse à revista que a afirmação fez Cavalcante se desesperar e o levou à depressão.
Perguntada sobre o que pode ter levado a ex-companheira de Cavalcante, Magda Koegnikan, a fazer as declarações à revista, Yeda afirmou: "acho que é uma maneira de ela se salvar, quem sabe. Sobre ela recaem muitas suposições, muitas acusações. Eu não considero uma pessoa qualificada para falar sobre o governo do Estado do Rio Grande do Sul".
"Não considero a declaração dessa moça, não posso considerar. Qual é a versão que ela está criando? Para se livrar de uma das hipóteses do Marcelo que é suicídio induzido", afirmou Yeda. "Ela está falando como se tivesse ouvido de uma pessoa que não pode mais falar. O Marcelo está morto".
- Redação Terra


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