Ministro diz que Battisti não deve temer prisões italianas

11 de maio de 2009 • 20h12 • atualizado às 20h40

O ministro da Justiça da Itália, Angelino Alfano, disse nesta segunda-feira que o ex-ativista Cesare Battisti, preso no Brasil desde 2007, não pode escolher se vai ou não voltar para a Itália, onde foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios ocorridos no final da década de 1970. Alfano também garantiu que Battisti não tem o que temer nas prisões de seu país. As informações são da Agência Ansa.

"Não acredito que seja uma questão de livre escolha de Battisti vir ou não para a Itália", sustentou Alfano, fazendo referência às afirmações feitas por Battisti à rede de TV franco-alemã Arte. Na entrevista, o ex-militante da organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC) afirmou que prefere morrer a voltar para a Itália.

Battisti voltou a alegar inocência e confessou ter medo de ser extraditado, como reivindica a Itália. Ele afirmou que sua vida estaria em risco caso retornasse. "Não vou para a Itália, não chegarei vivo. Tenho medo demais. Existem coisas que podemos escolher, como o momento da própria morte", argumentou.

Para Alfano, no entanto, assim como "milhares de cidadãos italianos, Battisti foi condenado por nossos tribunais, que são expressão da nossa democracia". "Não há motivos para ter medo, porque as nossas prisões são seguras. São lugares onde os direitos individuais dos cidadãos são respeitados", enfatizou.

Mais cedo, o ministro de Defesa da Itália, Ignazio La Russa, já havia qualificado as declarações de Battisti como uma "desfaçatez sem limites". "Se ele de fato pensa em se suicidar, deveria ter refletido sobre isso depois de cometer os quatro homicídios", declarou o ministro.

O chanceler Franco Frattini, por sua vez, afirmou que seu país não dará "sinais de indulgência ou anistia para os terroristas, em particular no caso de Cesare Battisti".

Desde janeiro, o ex-ativista vive no Brasil sob o status de refugiado político, concedido pelo ministro da Justiça, Tarso Genro. O Supremo Tribunal Federal (STF) decidirá se ele poderá permanecer no Brasil ou se será extraditado.

Redação Terra
 
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