O ex-ativista italiano Cesare Battisti, que recebeu refúgio político no Brasil, disse nesta segunda-feira que prefere morrer a voltar para seu país, onde foi condenado à prisão perpétua por quatro homicídios.As informações são da Agência Ansa.
Preso no Brasil desde 2007, Battisti se tornou o pivô de uma crise diplomática entre Brasil e Itália depois que o ministro da Justiça, Tarso Genro, decidiu no dia 13 de janeiro conceder a ele o status de refugiado político. O parecer final sobre a manutenção do benefício ou a extradição do ex-ativista caberá ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Entrevistado pela emissora de televisão franco-alemã Arte na Penitenciária da Papuda, em Brasília, onde está preso, Battisti voltou dizer que é inocente e confessou ter medo de ser extraditado, como pede a Justiça italiana.
Ele afirmou que sua vida estaria em risco caso retornasse. "Não vou para a Itália, não chegarei vivo. Tenho medo demais. Existem coisas que podemos escolher, como o momento da própria morte", ressaltou.
O ex-ativista, condenado por quatro assassinatos ocorridos no fim da década de 1970, época em que integrava a organização de esquerda Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), disse que não quer permitir que "a injustiça do governo italiano" tenha o direito de determinar o momento de sua morte.
Ele afirmou também que vive em más condições na prisão brasileira e mais uma vez enfatizou que não participou das ações armadas que resultaram nas mortes pelas quais responde.
"Depois de 30 anos, colocaram-me na prisão por crimes que não cometi. Nunca matei, mas fiz parte de uma organização armada, participei de roubos, era um militante qualquer e me fizeram virar um monstro, um assassino", argumentou.
Redação Terra