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Abrasel admite interesse econômico em ações contra lei antifumo

09 de maio de 2009 15h00 atualizado às 15h13

Hermano Freitas

Direto de São Paulo

Após a Associação Nacional de Bares e Restaurantes (Abrasel) ajuizar um mandado de segurança coletivo para evitar a aplicação da lei antifumo em São Paulo, o presidente da entidade, Paulo Solmucci, admitiu motivações de ordem econômica na ação. Segundo ele, um fumante gasta em média 38% a mais que um não-fumante nos estabelecimentos e este número pode chegar a 80% se for de classe alta. "É legítimo que se tenha interesse econômico, por que eu não vou defender o meu melhor cliente?", questionou.

A Abrasel e a Associação Brasileira de Gastronomia, Hospedagem e Turismo (Abresi) recorreram à Justiça na sexta-feira contra a lei antifumo em São Paulo. As duas entidades pedem, juntas, que mais de 300 mil estabelecimentos no Estado fiquem de fora da fiscalização. Ação semelhante deve ser impetrada na segunda-feira em Brasília. A alegação é de inconstitucionalidade da nova norma.

Declarando-se um não-fumante e contrário ao uso do cigarro, Solmucci acusa a lei de fomentar a discriminação e de ser um retrocesso no combate ao fumo no País. "Somos um dos mais bem-sucedidos casos de combate ao tabagismo no mundo e isso foi conquistado com harmonia, sem precisar que se marginalize o fumante", disse. Ele adverte ainda para a possibilidade de episódios de violência. "Antes mesmo de a lei pegar, já temos não-fumantes hostilizando fumantes", disse.

Ainda de acordo com Solmucci, a lei antifumo, de autoria do governador de São Paulo José Serra (PSDB), também estaria respaldada pelos interesses da indústria farmacêutica, que fabrica medicamentos que ajudam a parar de fumar. Ele critica a postura do governador e parafraseia sua declaração. "Não queremos nos esconder numa aura de cordeiros. Prefiro ter espírito de porco do que ser um ditador escondido dentro de um democrata", disse. José Serra disse que "espíritos de porco" entrariam na Justiça contra a nova lei.

Redação Terra