O governador de Roraima, José de Anchieta Júnior, disse nesta quinta-feira que não pretende procurar o ministro Ayres Brito, relator do processo sobre a demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol no Supremo Tribunal Federal (STF), para pedir mais tempo para que a população não-indígena deixe a área. Anchieta Júnior disse que o importante agora é pensar nas conseqüências da decisão para os povos da área e disse que a reserva vai se transformar em um "zoológico humano".
"Não pretendo, não vou discutir (um novo prazo). Esse assunto já foi discutido exaustivamente", disse Anchieta Júnior. "Aquilo vai se transformar num verdadeiro zoológico humano. Sem a menor condição de sobrevivência, sem contato com o branco, o que vamos ver lá serão animas humanos", afirmou.
Ainda de acordo com ele, não há resistência por parte das pessoas que não saíram da reserva ainda - o prazo se esgota hoje - e sim falta de condições logísticas para isso. "São pessoas que estão lá há quatro gerações e não têm para onde ir, nem como se locomover", argumentou o governador.
Segundo Anchieta Júnior, cerca de 1 milhão de sacas de arroz vão se perder sem serem colhidas em função da retirada dos arrozeiros da área.
Em relação às disputas recentes entre índios de diferentes etnias dentro da reserva, inclusive pelo Lago Caracaranã, o governador disse que irá tentar evitar as polêmicas na região caso seja chamado a isso, mas lembrou que a resolução dos conflitos cabe ao governo federal.
- Agência Brasil


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