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Chance de cura do câncer de Dilma é de mais de 90%, diz médico

25 de abril de 2009 15h14 atualizado às 16h21

Ministra chegou ao hospital acompanhada pelo ministro das Comunicações, Franklin Martins. Foto: Felipe Rau/Agência Estado

Ministra chegou ao hospital acompanhada pelo ministro das Comunicações, Franklin Martins
Foto: Felipe Rau/Agência Estado

Hermano Freitas

Direto de São Paulo


A equipe médica do Hospital Sírio Libanês, onde a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, 61 anos, extraiu um tumor no sistema linfático, foi categórica ao dizer que as chances de cura são "as maiores possíveis". Segundo o oncologista Paulo Hoff, o diagnóstico precoce garante uma perspectiva de cura de "mais de 90%".

Dilma anunciou que está se tratando de linfoma, um tipo de câncer com origem no sistema linfático, em entrevista coletiva no início da tarde deste sábado. Há cerca de três semanas, ela se submeteu a uma cirurgia para a extração do nódulo na região da axila esquerda e colocou um cateter para as aplicações de quimioterapia, que devem durar quatro meses.

"Por sorte, o linfoma foi detectado no estágio Ia. Não existe estágio mais precoce. Não tinha nenhum outro linfonódulo", disse Hoff. O cardiologista Roberto Kalil Filho afirmou que o tumor foi descoberto há cerca de um mês, após uma tomografia coronariana (no coração).

Segundo o cardiologista, o exame permite diagnosticar também parte do pulmão e detectou o gânglio na axila. "A ministra tem realizado esse tipo de exame desde sua diverticulite, em outubro de 2007", disse.

Apesar da precocidade do diagnóstico, a hematologista Yana Augusta Novis disse que o tratamento complementar com quimioteria é necessário durante quatro meses para evitar "um recrudescimento do quadro". "Além da quimioterapia, a ministra vai fazer os exames periódicos, mas sem interromper nenhuma de suas atividades", afirmou a médica.

Ao confirmar que está em tratamento, a ministra disse que "está certa que conseguirá superar" a doença, sem precisa reduzir o seu ritmo de trabalho. "Vou manter minhas atividades no mesmo ritmo. Não há uma incompatibilidade entre o trabalho e tratamento", disse. "Tenho certeza de que vou superar essa doença. Aliás, nós, brasileiros, temos esse hábito de sermos capazes de enfrentar obstáculos, transpô-los e sair inteiro do lado de lá", completou.

Nos próximos quatro meses, Dilma será submetida a sessões de quatro horas de tratamento quimioterápico e passará por exames periódicos. Nesse intervalo de tempo ela poderá continuar trabalhando. "Não existe uma regra de repouso", disse a oncologista Yana Novis.

Cotada para ser a candidata do PT na disputa presidencial de 2010, inclusive com o apoio aberto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra ela preferiu não falar sobre sucessão. "Em uma entrevista em Brasília, disse que não respondia essa questão nem amarrada", falou Dilma. "Continuo não respondendo nem amarrada", afirmou.

Sobre o linfoma

O linfoma é uma forma de câncer que tem origem nos gânglios linfáticos, que atuam no sistema imunológico do organismo combatendo infecções (vírus, fungos e bactérias) e o próprio câncer (células tumorais). Os linfomas geralmente atacam os tecidos de órgãos como estômago ou intestino, por exemplo, e também a medula óssea e o sangue.

Existem dois tipos de linfoma: o de Hodgkin e o não-Hodgkin. Para o linfoma de Hodgkin, o tratamento mais comum é a poliquimioterapia com ou sem radioterapia. Quando há o retorno da doença, são disponíveis alternativas, dependendo da forma do tratamento inicial empregado. As opções mais utilizadas são o emprego de poliquimioterapia e do transplante de medula.

Já nos casos não-Hodgkin, a maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia ou ambos. A imunoterapia pode ser incorporada ao tratamento, incluindo anticorpos monoclonais e citoquinas, isoladamente ou associados à quimioterapia.

A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais drogas, de acordo com o tipo de linfoma não-Hodgkin. A radioterapia é usada, em geral, para reduzir a carga tumoral em locais específicos, aliviar sintomas ou também para consolidar o tratamento quimioterápico, diminuindo as chances de recaída.

Para linfomas com maior risco de invasão do sistema nervoso (cérebro e medula espinhal), faz-se terapia preventiva, consistindo de injeção de drogas quimioterápicas diretamente no líquido cérebro-espinhal, e/ou radioterapia que envolva cérebro e medula espinhal.

Redação Terra

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