Laryssa Borges
Direto de Brasília
Marilda anda desconfiada da traição do marido e decide contratar um detetive particular para investigar se seu companheiro, um bem-sucedido empresário do ramo de confecções, anda tendo um caso amoroso com uma socialite da cidade. O suposto triângulo amoroso faz parte do enredo da rádio-novela Não escuta que eu grampo, que será levada ao ar pela Rádio Justiça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na história de ficção - colocada na grade da emissora após os escândalos envolvendo grampos ilegais contra autoridades, incluindo o próprio presidente do STF, ministro Gilmar Mendes - o detetive particular Virgulino Teixeira decide instalar escutas telefônicas clandestinas na casa da socialite, mas descobre algo muito mais grave do que uma traição. O desfecho da novela só será conhecido na próxima segunda-feira, quando a Rádio Justiça começa a veicular o episódio em nove horários diferentes, das 5h50 às 3h50.
O combate ao uso indiscriminado de grampos telefônicos tem sido uma das principais bandeiras do presidente do STF, Gilmar Mendes, desde que ele assumiu o mais alto posto da Corte. Em setembro do ano passado, após suspeitar ter tido suas conversas telefônicas com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) monitoradas de forma ilegal por funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mendes cobrou providências diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conseguiu que o governo exonerasse do cargo o então diretor-presidente da Abin, Paulo Lacerda.
Suspeitas dão conta ainda que o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, teria monitorado irregularmente e com o auxílio da Abin diversas autoridades do governo, entre elas os ministros José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro do STF Marco Aurélio Mello, o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, além de parlamentares governistas e de oposição. Ele nega as denúncias.
- Redação Terra

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