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 Rádio do STF leva ao ar novela 'Não escuta que eu grampo'
24 de abril de 2009 18h02 atualizado às 18h44

Laryssa Borges

Direto de Brasília


Marilda anda desconfiada da traição do marido e decide contratar um detetive particular para investigar se seu companheiro, um bem-sucedido empresário do ramo de confecções, anda tendo um caso amoroso com uma socialite da cidade. O suposto triângulo amoroso faz parte do enredo da rádio-novela Não escuta que eu grampo, que será levada ao ar pela Rádio Justiça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na história de ficção - colocada na grade da emissora após os escândalos envolvendo grampos ilegais contra autoridades, incluindo o próprio presidente do STF, ministro Gilmar Mendes - o detetive particular Virgulino Teixeira decide instalar escutas telefônicas clandestinas na casa da socialite, mas descobre algo muito mais grave do que uma traição. O desfecho da novela só será conhecido na próxima segunda-feira, quando a Rádio Justiça começa a veicular o episódio em nove horários diferentes, das 5h50 às 3h50.

O combate ao uso indiscriminado de grampos telefônicos tem sido uma das principais bandeiras do presidente do STF, Gilmar Mendes, desde que ele assumiu o mais alto posto da Corte. Em setembro do ano passado, após suspeitar ter tido suas conversas telefônicas com o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) monitoradas de forma ilegal por funcionários da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Mendes cobrou providências diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e conseguiu que o governo exonerasse do cargo o então diretor-presidente da Abin, Paulo Lacerda.

Suspeitas dão conta ainda que o delegado Protógenes Queiroz, responsável pela Operação Satiagraha, teria monitorado irregularmente e com o auxílio da Abin diversas autoridades do governo, entre elas os ministros José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro do STF Marco Aurélio Mello, o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, além de parlamentares governistas e de oposição. Ele nega as denúncias.

Redação Terra