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 Índios criam trilha "medicinal" em aldeia para gerar renda
19 de abril de 2009 11h49 atualizado às 11h51

Professor Marcos exibe relógio Guarani construído em trilha. Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

Professor Marcos exibe relógio Guarani construído em trilha
Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

Fabrício Escandiuzzi

Direto de Florianópolis


Os índios guaranis de Biguaçu, cidade da região metropolitana de Florianópolis (SC), desenvolveram uma trilha ecológica e medicinal no interior da aldeia para criar uma fonte alternativa de renda para a comunidade.

A trilha Tape Poty, ou Caminho das Flores na língua guarani, existe há quase um ano. A proposta tem chamado a atenção por possibilitar ao visitante um contato direto com a cultura indígena e com as ervas usadas por pajés no tratamento de diversos males.

A aldeia Yynn Moroti Wherá (que significa Reflexo da Água Cristalina) é localizada às margens da BR-101 e conta atualmente com 125 moradores. A trilha é cobrada e o percurso, acompanhado por um guia indígena.

A principal fonte de renda dos índios locais é a venda de produtos de artesanato, construídos com material encontrado na própria mata. Não é raro encontrá-los expondo os produtos pelas ruas do centro de Florianópolis.

"Pensamos na trilha como forma de mostrar e valorizar nossa cultura, mas também para tentar melhorar a situação das nossas famílias", disse o professor Geraldo Moreira, um dos criadores da trilha ecológica. "Também trabalhamos nela como forma de ensinar valores de preservação da mata e de disciplinas do currículo escolar aos nossos alunos."

O responsável pela trilha, professor Marcos Karaí Moreira, explica que as crianças da escola local auxiliaram a construir alguns pontos do percurso, como uma réplica de uma aldeia de séculos passados.

A Casa de Reza, espaço sagrado da aldeia e onde os guaranis realizam os seus rituais diários, é um dos pontos mais importantes do percurso. "Ela foi construída com a ajuda das crianças da escola. Aqui mostramos a elas, na prática, todos os ensinamentos das aulas de matemática", destacou. "Montando, eles aprenderam a questão de tamanhos e medidas que mostramos na aula."

Com cerca de 1 km, o trajeto é bastante tranquilo e com várias "lições" para o visitante. As tintas usadas em rituais e os pequenos detalhes de peças de artesanato podem ser encontrados na mata. Um relógio guarani, onde é possível ver as horas e a estação do ano apenas com a presença do sol é outro ponto marcante.

Nas árvores estão as soluções para males que ainda atormentam o homem moderno, como úlcera, tuberculose e problemas capilares. Também é sinalizado na trilha um anticoncepcional masculino, que deve ser tomado seguindo a lua e em forma de chá. "Se tomar no dia certo, não precisará que a mulher tome remédios", garante o indígena.

O caminho é percorrido juntamente com um guia da aldeia, que explica as propriedades das plantas e fala sobre a cultura local. Marcos afirmou que em pouco mais de dez meses de atividades, a trilha dos Guaranis recebeu mais de 130 escolas, gerando um recurso "extra" para a comunidade local.

Grupos e turistas estrangeiros também estão começando a visitar o lugar. "Recebemos visitantes da Alemanha há algum tempo", contou. "Trabalhamos a sustentabilidade de nossa floresta, a divulgação da cultura indígena é uma forma de melhorar as condições de nosso povo. Vivemos exclusivamente do artesanato que produzimos graças à floresta."

A trilha começa e termina na escola local e o contato com os visitantes é uma grande atração também para as crianças da aldeia. Ao final, chama a atenção o fato dos muros ao lado das salas de aula estarem todos pintados com um mapa da trilha, desenhos de índios e também dos animais avistados na mata. "Toda a história de nossa aldeia está desenhada nos muros e paredes de nossa escola para as crianças relembrarem todos os dias", explicou Marcos.

Especial para Terra
  1. Professor Marcos exibe relógio Guarani construído em trilha: sol mostra horas e estações do ano

    Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

  2. Casa de Reza, usada pelos indígenas para cerimoniais é uma das atrações da trilha

    Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

  3. Professor Marcos realiza a trilha

    Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

  4. Placas indicam finalidade das árvores e plantas localizadas no interior da aldeia

    Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

  5. Placas indicam finalidade das árvores e plantas localizadas no interior da aldeia

    Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

  6. Placas indicam finalidade das árvores e plantas localizadas no interior da aldeia

    Foto: Fabrício Escandiuzzi/Especial para Terra

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