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FHC se diz contente por Obama chamar Lula de "o cara"

06 de abril de 2009 20h29 atualizado às 21h20

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse ter ficado "contente" com o comentário feito pelo líder dos Estados Unidos, Barack Obama, de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "político mais popular da Terra".

"Ué, fiquei contente. Acho bom que o Brasil tenha um político popular. Não sei se corresponde aos fatos, não sei se é o mais, mas é um dos mais. Acho que é bom", disse.

Os comentários do ex-presidente foram feitos em Washington nesta segunda-feira, na sede do centro de pesquisas políticas Brookings Institution, após sua participação no evento Drogas e Democracia: Rumo a Um Novo Paradigma, ao lado do ex-presidente colombiano César Gaviria.

A dupla apresentou as conclusões de um relatório no qual recomenda a descriminalização da posse de drogas como a maconha e um novo modelo de combate ao narcotráfico, centrado na redução da demanda e na ênfase na punição a traficantes, e não a usuários.

Cabo eleitoral
Após o evento, FHC conversou com a imprensa brasileira. O ex-presidente respondeu se o elogio de Obama faz de Lula um cabo eleitoral ainda mais forte e torna mais acirrada a disputa à Presidência entre a provável candidata governista, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os dois pré-candidatos do PSDB, o governador de São Paulo, José Serra, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

"Difícil é, mas ele (Lula) foi oposição a mim e eu ganhei. Impossível, não é. Eu ganhei dele, no primeiro turno, duas vezes. Então, depende do momento, depende das circunstâncias. Não basta o carisma. Agora, é necessário que a pessoa tenha a capacidade de sensibilizar o eleitorado."

O ex-presidente afirmou que não concorda com a proposta de uma chapa encabeçada por Serra e tendo Aécio como candidato a vice. "Isso seria uma desconsideração com o governador Aécio. Ele é candidato para ser cabeça. Enquanto tivermos dois candidatos, e eu sou presidente de honra do partido, eu não posso dizer, 'é um, não é o outro' ou 'é um, mas é um na frente, o outro atrás'. Eu tenho é que criar condições para que haja uma compreensão para ver quem tem mais chances."

Prévias
O ex-presidente diz não descartar a realização de prévias dentro do PSDB para escolher o candidato da legenda à sucessão presidencial. "Se essa compreensão puder correr internamente, ótimo. Se não puder, temos a convenção. Se acharem que a convenção não é suficiente, faz-se uma consulta mais ampla, eu não acho nenhum problema nisso. Ainda está muito longe disso. Porque a convenção só pode ser feita em junho do ano que vem. Então, acho que a discussão é prematura."

Mas, para FHC, a antecipação da discussão eleitoral foi gerada pelo presidente Lula. "Infelizmente, o presidente Lula provocou o debate da sucessão antes da hora, o que está prejudicando. Tá toda hora, tudo o que ele faz, tudo o que a ministra Dilma faz, dizem que é eleitoral. Seja ou não, eu não sei se é, mas todo mundo diz que é. Por quê? Porque o debate é antes da hora. Eu acho que os nossos governadores têm que se poupar. Porque eles estão trabalhando, deixa que eles trabalhem um pouco mais."

BBC Brasil
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