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Casal gay vê homofobia em expulsão de assentamento

23 de março de 2009 22h23 atualizado em 24 de março de 2009 às 08h46

Chico Siqueira

Direto de Araçatuba


Um casal, formado por duas assentadas, foi expulso do lote que ocupava no assentamento Celso Furtado, em Castilho (SP), na divisa com Mato Grosso do Sul. Nádia Michele Teixeira, 27 anos, e Kelly Gonçalves de Souza, 24, acusam os coordenadores do assentamento, que são líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e de Sindicatos Rurais da região, de cometerem homofobia aos expulsar as duas do local. Os coordenadores negam a discriminação dizendo que a saída se deu por motivos técnicos.

Para Kátia, os coordenadores cederam às pressões de outros assentados que não queriam o casal no assentamento. "Os próprios coordenadores nos indicaram, mas depois cederam às pessoas que não aceitam a multiplicidade sexual. São pessoas que passavam em frente da nossa casa gritando injúrias e nos xingando", conta Kátia.

Kátia diz que o casal já tinha registrado boletim de ocorrência na polícia denunciando a discriminação, mas foi na última sexta-feira que seu lote foi invadido por uma família com três homens e uma mulher. "No sábado, fomos lá e eles nos disseram que ocuparam nossa casa a pedido dos coordenadores", contou Kátia.

Ela diz que não teve tempo nem de retirar seus pertences. "Meus móveis e parte das minhas roupas ficaram lá na casa", disse. De acordo com Kátia, ela e sua companheira gastaram cerca de R$ 20 mil em benfeitorias feitas no lote, ocupado entre 29 de janeiro e 9 de março.

Coordenador nega expulsão
O assentamento é ocupado por 179 famílias que eram sem-terras de dois movimentos, do MST e do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Sintraf). Um dos coordenadores do assentamento, Milton Caldeira dos Santos, disse hoje que os quatro coordenadores, todos do Sintraf, concordaram que o casal gay não foi expulso.

"O casal nunca ocupou esse lote. A meta é que o assentamento ocorra de maneira rápida e, depois de 90 dias, as duas ainda não tinham ocupado o lote. Por isso, decidimos repassá-lo a outra família", disse. Santos disse que não houve expulsão porque também não houve assembléia para isso. A assembléia acontece nesta terça-feira, com a presença dos assentados. "Estamos todos indignados aqui porque estão tentando explorar um fato por um viés que não existe", disse.

Incra vai avaliar
A assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que o órgão vai analisar o caso e que "se o casal tiver direito, terá seu direito assegurado". De acordo com a assessoria, o Incra fará nesta terça-feira "um detalhamento da situação para saber quais os direitos do casal". A assessoria também informou que o Incra não discrimina os assentados por sexo e aceita normalmente as opções sexuais, dando como exemplo o caso de outro casal de lésbica que ocupa um lote no assentamento Zumbi dos Palmares, em Iaras (SP).

Especial para Terra