José Alencar deixa hospital em SP e se diz privilegiado

17 de fevereiro de 2009 • 13h33 • atualizado às 16h11
Alencar disse que vai iniciar um tratamento de fisioterapia e vai aproveitar para ficar no seu apartamento em São Paulo Foto: Samir Baptisti/Agência Estado
Alencar disse que vai iniciar um tratamento de fisioterapia e vai aproveitar para ficar no seu apartamento em São Paulo
17 de fevereiro de 2009
Foto: Samir Baptisti/Agência Estado

Rafael Nardini

Direto de São Paulo


O vice-presidente José Alencar, 77 anos, deixou o Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, às 13h05, em uma cadeira de rodas, após 27 dias internado. Alencar comentou a sua rápida recuperação e disse que tem tido "sorte" e que se sente privilegiado por receber um ótimo acompanhamento médico.

Alencar passou por uma cirurgia no dia 25 de janeiro para a retirada de tumores na região abdominal. O procedimento cirúrgico durou 17 horas, segundo o hospital. A cirurgia, considerada de alta complexidade, foi feita para retirada uma porção do intestino delgado, uma parte do intestino grosso e dois terços do ureter (canal que leva a urina do rim à bexiga) - que estavam comprometidos por tumores.

Ao ser questionado sobre sua coragem para vencer a doença, o vice-presidente disse que não tinha outra alternativa a não ser submeter-se ao procedimento cirúrgico. "Tenho tido sorte de ter um ótimo acompanhamento. Tenho tido privilégio e às vezes me sinto culpabilizado. Sou vice-presidente e queria que todos os brasileiros tivessem o mesmo tratamento que eu tive", disse.

O vice-presidente afirmou ainda que passou por sua "cirurgia mais dura", mas disse que não temeu a morte. "Não tenho medo da morte, porque não sei o que é a morte", afirmou. "Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele", completou o político mineiro.

Alencar disse que vai iniciar um tratamento de fisioterapia e vai aproveitar para ficar no apartamento que mantém na alameda Itu, em São Paulo, próximo aos médicos. Bem-humorado, o vice-presidente ressaltou que está "com saudades do arroz e feijão mineiro legítimos" feitos na casa dele. O vice-presidente ainda brincou dizendo que promete "não pedir mais a queda dos juros" porque, segundo ele, agora "tudo mundo têm feito isso".

Jarbas Vasconcelos
Ao ser questionado sobre o caso envolvendo as declarações do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) à revista Veja, de que boa parte dos integrantes é especialista em "corrupção", Alencar disse que soube do caso indiretamente e não chegou a ler a entrevista do senador.

"Foi o meu primeiro partido, disputei minha primeira eleição e fui eleito senador por Minas Gerais pelo PMDB. Tenho grandes amigos (na legenda) em Minas Gerais, em São Paulo e em Brasília e, durante a minha internação, falei com um grande peemedebista, o senador Pedro Simon. Mas nem tocamos no assunto", disse.

Perguntado se o motivo que o fez sair da legenda teria algo relacionado à corrupção, Alencar negou. "No Brasil, existem mais de 30 partidos e essa variedade traz dificuldade. As alianças normalmente se tornam nacionais e, na época em que deixei o partido, há muitos anos, existia uma coligação para a presidência. Em 2002, se estivesse no PMDB, não seria vice-presidente, pois o partido não havia feito aliança nacional com o PT", disse.

Redação Terra
 
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